Por thiago.antunes

Rio - Associar Fábio Porchat à comédia é básico. Mas um dos maiores nomes do chamado novo humor gosta de fugir do lugar-comum. Não é à toa que aceitou o desafio de dirigir o monólogo dramático ‘Os Bons Serviços’, que está em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim. O convite para esse trabalho partiu da atriz Regina Gutman, que tinha o desejo de levar o conto do autor argentino Julio Cortázar, que dá nome à peça, para o teatro.

“Esse é o primeiro monólogo que dirijo. Encenar esse conto era o sonho da vida da Regina, e é muito legal participar do sonho de alguém. A dificuldade maior foi transformar um conto em teatro. A gente encena o texto tal como ele é, não tem nenhum tipo de adaptação”, revela.

Fábio Porchat no palco de ‘Os Bons Serviços’João Laet / Agência O Dia

Estar mais próximo do universo dramático pode parecer uma estratégia para ampliar a área de atuação e evitar o rótulo exclusivo de comediante. Porchat, no entanto, nega qualquer tipo de especulação a esse respeito. “Não tenho o desejo de fazer drama para fugir do humor. Faço projetos que me agradem. Se for só comédia pelo resto da minha vida, maravilha. Se tiver só drama, ótimo. Terror, excelente. Suspense, estou dentro. Eu gosto é de boas histórias, de desafios, de projetos que me apresentem algo novo”, afirma.

Ter um programa no SBT, conforme vem sendo noticiado na imprensa, seria uma das novidades à vista? “Não tem nada de verdade nessa história de que eu estaria negociando com o SBT. Tenho contrato com o Multishow até janeiro”, afirma. Mas ter uma atração para chamar de sua na TV aberta está, sim, nos planos do humorista, líder do ‘Porta do Fundos’ (canal de vídeo que é fenômeno na internet). “Tenho o desejo de ter um programa meu, com certeza. E o SBT seria um lugar ótimo para isso”, confidencia.

Por hora, o artista jura que não tem nem ideia de como seria o seu programa solo. “Nunca parei para pensar nisso. Até julho do ano que vem, tenho muita coisa para fazer”, diz. E bota muita coisa nisso. Além de estar em cartaz no Rio com o stand-up ‘Fora do Normal’ e de dirigir o monólogo ‘Bons Serviços’, ele começou a rodar o filme ‘Entre Abelhas’. E ainda vai filmar no segundo semestre as continuações dos longas ‘Meu Passado Me Condena’ e ‘Vai Que Dá Certo’, e, em 17 de julho, estreia, ao lado de Tatá Werneck, o programa ‘Tudo pela Audiência’, no Multishow.

Apesar da agenda lotada de compromissos, a palavra cansaço não faz parte do dicionário do comediante. “Meu lazer também é trabalho. Para mim, ler um livro é trabalho, assistir a uma peça, é trabalho, ver um filme, é trabalho. Tudo isso me inspira de alguma forma e é, ao mesmo tempo, uma grande diversão. Se gravar o dia inteiro com a Tatá Werneck não é diversão, eu não sei o que é”, diz o humorista, que também está às voltas com os ensaios de ‘Meu Passado Me Condena, a Peça’.

Trabalhar é o grande prazer da vida de Porchat, mas não o único. Mesmo com tanta correria, ele jura que sobra um tempinho para namorar. “Sempre beijo na boca de mulheres gostosas, safadas e sedentas por sexo (risos). Na verdade, estou namorando, afinal sou uma pessoa séria, direita”, brinca o ator, que foi casado com a atriz Patrícia Vazquez. A nova eleita é a argentina Juli Videla, figurinista do ‘Porta dos Fundos’. “Trabalho tanto que arrumei namorada no trabalho. É bom porque a gente fica muito junto”, explica.

Sempre a mil por hora, Porchat ainda encontra tempo para manter a forma conquistada no quadro ‘Medida Certa’, do ‘Fantástico’. “Corro quatro vezes por semana e me alimento de forma saudável. Emagreci uns 20 quilos e perdi 19cm de abdômen”, calcula o agora magérrimo ator. Durante a conversa com O DIA nos bastidores da peça ‘Os Bons Serviços’, o simpático ator foi uma espécie de livro aberto. Não teve pudor nem para admitir que a sua vida financeira vai muito bem, obrigado.

“Ganho dinheiro, claro. Estou fazendo peça, programa, me prostituindo (risos). Mas sou uma pessoa que não gasta. Não ligo para carro, nada disso. Meu objetivo é um dia gastar todo esse dinheiro viajando. Além de trabalhar, o meu negócio é viajar.”

Reportagem de Regiane Jesus

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