Por tabata.uchoa
O que não pode é segregar%2C colocar em compartimentos e excluir. Afinal%2C cada um é feliz como dá. Na real%2C somos todos iguaisDivulgação

Rio - Já repararam como é comum ver gente preconceituosa ser criticada e até segregada por outras gentes que pensam, só pensam, serem ‘despreconceituosas’ (do verbo ‘não são’, na verdade)? Descobri algo óbvio, ululantemente óbvio: ninguém é desprovido de preconceitos.

E, quando as pessoas acreditam que são, têm um defeito extra: a pretensão de achar que não têm preconceito algum. Vivemos uma vida de imagens, conceitos e rótulos. O ser humano molda, classifica, inclui e exclui, porque essa é a maneira mais lógica de se situar na sociedade: entre rótulos e posicionamentos, ele se encontra, se nomeia.

A questão é que nosso cérebro precisa de um treinamento qualquer, tipo ioga ou pilates, para conseguir enxergar os outros ao nosso redor sem julgamentos ou rejeições. Eu hoje consigo entender que tenho preconceitos, sim. A melhor maneira de tentarmos melhorar como seres humanos é lutarmos sem esmorecer, diariamente, se possível, contra os nossos mais íntimos preconceitos. E sem drama. Aceitemos que somos assim, sem a prepotência de não o sermos. Todos somos, uns bem mais e outros, bem menos.

Não é nenhum pecado mortal brincarmos com nossos preconceitos entre amigos ou na intimidade de nossos espaços. A vida politicamente correta pode ser bem chata e sem graça. Ser politicamente incorreto e usar nossos preconceitos para fazer humor não deixa de ser um modo de reconhecê-los, sem ofender nem discriminar ninguém, e de ativarmos nossos cérebros na direção racional de eliminá-los de vez.

Já vi de tudo. Homossexuais que discriminam pobres. Heterossexuais que discriminam gays. Hipócritas enrustidos que discriminam o que não têm coragem de ser ou assumir. Religiosos que discriminam ateus. Ateus que discriminam evangélicos. Moderninhos que discriminam o sucesso popular. Intelectuais que discriminam quem não é da academia, mesmo que inteligente ou culto. Artistas que discriminam o “ator de ‘Malhação’”. Fashionistas que discriminam quem não sabe combinar tão bem. Executivos que discriminam quem não chegou lá. Os que não chegaram tão lá discriminando os ricos que gostam de dinheiro. E por aí vai. Poderia escrever mais um milhão de exemplos de preconceitos que já observei por aí.

Isso sem falar nos preconceitos das redes sociais. Preconceito com quem faz selfie, com quem põe foto de biquíni ou sunga, com a classe C que entrou na rede, com o casal que se declara em público, com quem diz o que tá fazendo o tempo todo, com quem se exibe e com quem quer mostrar o quanto tem. Concordo que nos nossos preconceitos têm um tanto de estética contra a chatice, a ‘malice’ alheia. E para isso serve a brincadeira politicamente incorreta que fazemos de forma privada, para extravasar nosso lado crítico.

O que não pode é segregar, colocar em compartimentos e excluir. Afinal, cada um é feliz como dá. Seguremos a onda, porque, na real, somos todos iguais. No mais, deixem que digam, que pensem, que falem. De verdade.

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