Por daniela.lima
Na pele de Cássia Eller%2C a cantora Tacy de Campos toca violão... Paulo Araújo / Agência O Dia

Rio - ‘Não, o Toni Platão não tentou fazer o teste para o papel principal”, diverte-se Vinícius Arneiro, diretor de ‘Cássia Eller — O Musical’, brincando com a semelhança do cantor, que é chamado carinhosamente de “O Cássia Eller”.

Mais de mil candidatos do Brasil inteiro tentaram a vaga de protagonista da montagem, que estreia amanhã no Centro Cultural Banco do Brasil, mas quem vai viver a polêmica cantora é a curitibana de 24 anos Tacy de Campos. “Meus amigos me sacaneiam, me chamando de Tássia Eller”, conta a líder do grupo Os Marginais, que agita há um tempo a noite de Curitiba com repertório repleto de canções eternizadas por Cássia Eller. “Também sou compositora, e sonho um dia tocar minhas músicas com uma banda. Não pretendo virar atriz, mas acho que a exposição na peça vai ajudar futuramente a consolidar minha carreira de cantora”.

Tacy chega para a entrevista bem à vontade. Pés saltando para fora do chinelo, shorts, camisa larga e amarrotada, cabelos desgrenhados e devorando uma coxinha de galinha: à paisana, Tacy parece até um garotinho. Na peça, com figurino e soltando a voz, chega a impressionar tamanha a semelhança com Cássia. “Quando me caracterizaram pela primeira vez para a peça, estranhei demais. Não parecia eu. É estranho. Está sendo difícil pra c... virar outra pessoa”.

Tão desbocada quanto tímida, Tacy tem mais em comum com a homenageada que apenas uma semelhança física. “Não era um pré-requisito nos testes ser parecida com a Cássia , mas tinha que cantar parecido com ela. A Lan Lan (a percussionista e amiga de Cássia Eller assina a direção musical da peça) pirou com a Tacy, disse que ela é igualzinha. Ela também é homossexual assumida e, no palco, se transforma e até coloca o peitinho pra fora”, descreve Vinícius Arneiro, citando a cena inicial do musical, que remete ao antológico show de Cássia Eller no Rock in Rio em 2001, quando levantou a blusa no meio da apresentação. “Todo o lado de sexo e drogas da Cássia estão no roteiro, não tentamos moralizar a artista e não houve nenhum pudor em expor esse seu lado libertário”.

Com planos de engrenar sua própria carreira de cantora após o musical, Tacy só teme ficar estigmatizada pela personagem que vai encarnar. “Espero sinceramente que isso não aconteça, mas eu sei bem quem eu sou”, afirma.

Idealizador do musical, Gustavo Nunes ressalta que Cássia Eller deixou uma lacuna na música brasileira ainda não preenchida. “Temos muitas excelentes cantoras, mas nenhuma com a qualidade do timbre de voz e a atitude dela. Maria Gadú não chega nem perto! Cássia Eller está fazendo falta!”, decreta.

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