Por bianca.lobianco

Rio - No ano passado, o repórter de esporte Carlos Santiago chegou ao Maracanã para cobrir a final da Copa das Confederações. Acontecia no entorno do estádio mais uma das tantas manifestações da época, e o jornalista resolveu fazer as vezes de fotógrafo. Acabou flagrando o jovem Fabio Raposo, que, meses depois foi preso, acusado da morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade.

“Na hora da confusão, comecei a fazer fotos, um hobby. Mas uma delas acabou se tornando especial depois da descoberta recente. Quando vi aquele rosto e o braço tatuado, eu reconheci o rapaz. É muito estranho pensar que eu estava do lado do homem que pouco mais de seis meses depois estaria envolvido na morte de um colega da imprensa”, conta o jornalista.

Fotografia de Carlos Santiago%3A à esquerda%2C o jovem Fabio RaposoCarlos Santiago / Agência O Dia

Esta e outras 12 imagens das manifestações que sacudiram o Brasil há um ano poderão ser conferidas na exposição ‘Cidadãos de Junho’, que acontece somente de hoje até sexta-feira, na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo. Além de lembrar o primeiro aniversário das manifestações, a mostra tem como objetivo “construir uma memória daqueles eventos e estimular uma reflexão sobre os significados daqueles movimentos”, segundo o idealizador, o cientista social Júlio Aurélio.

A ideia nasceu a partir de uma pesquisa acadêmica conduzida por Júlio sobre os protestos daquele período. “Comparei o que houve aqui com outras manifestações ocorridas há pouco tempo em todo o mundo e também na história recente do Brasil. A conclusão, e novidade, é que foi um movimento de renovação da ética na democracia”, destaca o cientista social.

Ao lado do jornalista Carlos Santiago, participam da exibição os fotógrafos Érica Ramalho, Luiz Roberto Lima, Mauro Pimentel e Rafael Wallace, também curador da exposição. “É um resgate das manifestações que tomaram as ruas do país. A curta temporada da mostra é por conta mesmo da agenda da instituição. Mas ela é itinerante, e estamos à disposição de outros espaços. Não é nada comercial. Apenas queremos expor os trabalhos”, ressalta Wallace.

Hoje, às 17h30, Júlio Aurélio fará a apresentação de sua pesquisa e da mostra. O evento é aberto ao público. A visitação é gratuita e pode ser feita das 9h às 18h.

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