Por daniela.lima
Lia Sophia no Theatro da Paz de Belém: 'É como o Municipal do Rio’Divulgação

Rio - Liá Sophie nasceu na Guiana Francesa. Passou pelo Amapá e, adolescente, foi parar em Belém, onde se formou em Psicologia e se popularizou como a cantora Lia Sophia. No boom que catapultou Brasil afora a música contemporânea feita no Pará, com Gaby Amarantos de abre-alas, ela conquistou o país e, passando a maior parte do tempo viajando para shows, apaixonou-se pelo Rio de Janeiro.

Com o relançamento de seu CD mais recente — quarto da carreira, com referências do carimbó, brega, merengue e guitarrada — por uma grande gravadora, a Som Livre (houve uma primeira tiragem de ‘Lia Sophia’ pelo selo/projeto Natura Musical), a cantora assume que é hora de deixar as raízes e se fixar no eixo Rio-São Paulo.

“É muito doido para mim deixar Belém, mas, na atual correria profissional, é necessária essa mudança para o Sudeste”, resigna-se Lia. “No dia 26 desse mês, vou mostrar esse CD no Rio, com um show no Jockey Club. O Rio é muito parecido com Belém. O carioca também é muito receptivo, sorridente, me identifiquei de cara com esse povo quente e caloroso, me sinto em casa no Rio. E, em cinco minutos, você está no meio da floresta, tem esse contato da natureza com o urbano.”

A artista avança nas comparações entre as duas cidades, e dá exemplos para atestar que as semelhanças vão além do calor humano e das belezas naturais. “Em Belém, tem uma caipirinha muito típica e famosa, feita com cachaça de jambu, uma erva da região usada para fazer comida e também para fazer o drinque. Ela faz tremer a boca, adormece a língua, dá uma sensação louca na cabeça toda quando se bebe. Tem também o nosso bolinho de bacalhau, ou bolinho de piracuí, feito com a farinha do peixe acari”, descreve, gulosa que só ela. “Adoro cozinhar, conhecer restaurantes. Acho que, pela culinária do Norte ser tão peculiar, com diversos ingredientes, sabores e cheiros, fica fácil se apaixonar pela gastronomia. Sem pretensão de me tornar uma chef, chamo os amigos para serem cobaias dos meus pratos. Adoro comer, não sei como é que não sou gorda!”

No Theatro da Paz, que é como o Theatro Municipal do Rio (“Por sua arquitetura e importância. Em Belém tem ainda o prédio Paris N’América, uma loja que lembra os prédios do Centro do Rio, com a mesma influência da Belle Époque”), Lia diz que existe até uma “Lapa paraense”. “É a Feira do Açaí, tem uns casarões antigos, tem bares, já foi mais badalado, mas ainda resiste. O chorinho e o samba são muito fortes em Belém. Tem o Bar do Gilson, que virou referência, e a Casa D’Noca, que recebe muitos artistas que fazem sucesso na Lapa. O carioca que chegar em Belém não vai se sentir deslocado!”

Você pode gostar