Rio - Vinte e um anos depois de encantar o país como o coronelzinho de ‘Renascer’ (Globo), Leonardo Vieira virou stripper. Só que não! Mas, na ficção, é fato que o ator vai ter que rebolar, literalmente, para sobreviver. Tudo porque o engenheiro Tadeu, de ‘Vitória’, a nova novela da Record, perde o emprego, não consegue arrumar outro e, para sustentar a família, aceita dar expediente em um bar como gogo boy, ao lado dos amigos Caíque (Heitor Martinez) e Paulo Henrique (Silvio Guindane). Como dançar, definitivamente, não é uma especialidade do galã, de 45 anos, ele tem tido aulas com a professora Mônica Torreão para fazer bonito na trama de Cristianne Fridman.
“Não me arrisco nem a fazer passos em festa, danço bem pouquinho mesmo. Estamos aprendendo o básico. Afinal, como os personagens são três engenheiros, eles não vão chegar arrasando, né? Tenho certeza que vou morrer de vergonha na hora de subir ao palco para fazer essas cenas de dança, mas vou vencer esse desafio”, aposta.
Justamente pelo personagem não ser um profissional da arte de ‘sensualizar’, Leonardo também não precisou intensificar a malhação. “Faço exercícios físicos diariamente pela questão da saúde, e não por estética. Uma hora é o meu tempo máximo na academia”, afirma. Já nos estúdios da Record, o ator tem passado muito tempo. E com prazer. Isso porque, além de estar ali fazendo o que mais gosta, se identifica com o personagem.
“Eu me solidarizo com o Tadeu, porque sei o que é não ter carteira assinada, trabalho fixo. Ator vive numa corda-bamba. Quando a gente está ganhando dinheiro, tem que juntar, porque sabe que vai vir a fase da entressafra. Eu sempre tive muita sorte, nunca me faltou trabalho, mas consigo me colocar no lugar do Tadeu, que terá que se virar para colocar dinheiro em casa, sustentar a família. E ele ainda vai ver o casamento com Matilde (Luciana Braga) entrar em crise. Parece que não está rolando mais essa coisa de amor em uma casinha de sapê”, comenta.
Há cinco anos, no entanto, Leonardo foi apresentado à tão desejada estabilidade financeira. Contratado da Record desde então e com vínculo com a emissora até 2016, o ator saiu da eterna gangorra em que vivia. “Quando fiz 40 anos, achei que era a hora de ter um contrato longo, de fazer um pezinho de meia. Estava um pouco cansado dessa corda-bamba”, confidencia.
E a chegada da maturidade fez bem ao galã em todos sentidos, inclusive no que diz respeito a lidar com o assédio do público. “No início, em meio àquela explosão que foi ‘Renascer’, tive uma certa dificuldade em lidar com a fama, mas, já há algum tempo, é muito tranquilo. Apesar de hoje em dia as pessoas terem esquecido algumas palavras mágicas, como ‘licença’, ‘por favor’, ‘obrigado’, eu tento sempre ser o melhor Leonardo possível para quem acompanha o meu trabalho e vem falar comigo”, diz.
Avesso ao culto à juventude, o intérprete do Tadeu de ‘Vitória’ não tem medo de envelhecer. “Não me sinto um homem de meia-idade, me sinto um garotão (risos). Na verdade, ficar velho é um privilégio. Essa cultura ocidental que só valoriza o jovem não me atinge, até porque a minha profissão me permite trabalhar até o final da vida”, acredita.
Mas nem só de trabalho vive esse quarentão de tirar o chapéu. Tímido e normalmente reservado quanto à sua vida pessoal, Leonardo abre uma exceção e revela seu atual estado civil. “Não sou casado, mas tenho um amor. É difícil ser sozinho. Ter um amor ajuda a gente a caminhar nessa estrada da vida”, filosofa.
Reportagem Regiane Jesus