Rio - Chegou ao fim na última segunda-feira a 9ª CineOP — Mostra de Cinema de Ouro Preto, que começou no dia 28 de maio e que teve como foco a preservação do cinema como patrimônio. O evento foi marcado pelas homenagens aos diretores Luiz Rosemberg Filho e Ricardo Miranda (1950-2014), e ao preservador e ex-curador da Cinemateca do MAM-RJ Cosme Alves Netto (1937-1996).
“Homenagem maior, para mim, além da restauração dos meus filmes, é estar nesse patamar ao lado de outros dois colegas brilhantes, o Cosme Alves Netto, um cara que foi um dos maiores nomes da cultura cinematográfica brasileira do século 20, e o Ricardo Miranda, um amigo, um parceiro e o homem que tinha um comprometimento imenso com a arte”, elogia Luiz Rosemberg Filho, 69 anos.
Entre os filmes do cineasta exibidos no festival, dois tiveram sabor especial: ‘O Jardim das Espumas’ (1970) e ‘Imagens’ (1972), que estavam desaparecidos há 30 anos e foram encontrados e recuperados numa parceria da Universo Produção com o pesquisador Hernani Heffner. “Estou aqui bastante emocionado pensando que vou finalmente rever esses trabalhos depois de mais de 30 anos, trabalhos esses que foram criados numa época em que eu acreditava que o Brasil podia dar certo”, declara Rosemberg.
Organizada por Raquel Hallak d’Angelo e Fernanda Hallak d’Angelo, o evento levou uma programação gratuita a três espaços da cidade histórica: Centro de Artes e Convenções, a Praça Tiradentes e o Cine Vila Rica. Foram 59 filmes, divididos em mostras como ‘Preservação’ e ‘Contemporânea’, além de 21 encontros para debates e discussões sobre educação, preservação, estéticas e Cinema Patrimônio.
Um dos pilares do festival pela primeira vez, o tema educação foi um dos que mais renderam comentários e elogios. “Em uma mostra grande como essa, é difícil você destacar algo que tenha impressionado mais, mas eu ousaria dizer que alguns trabalhos apresentados nos seminários me deixaram arrepiada. Um deles foi o projeto, um documentário, feito por alunos de uma escola de Belo Horizonte. Eles são jovens infratores que viram nesse trabalho uma forma de se reintegrar à sociedade”, explica Raquel, que faz planos para 2015, quando o evento comemora dez anos. “Meu maior desejo é trazer roteiristas e pesquisadores estrangeiros.”
Outra apresentação que também emocionou o público dos seminários foi o trabalho desenvolvido por alunos com deficiência visual do Instituto Benjamin Constant, no Rio. “Quando descobriu que os filmes passariam em Ouro Preto, a turma, que tem 35 alunos, perguntou por que eles não estavam aqui para apresentar seus trabalhos. Isso deixa claro o quanto eles levam essa mostra a sério. E o quanto essa oportunidade dá uma nova perspectiva de vida e de futuro a essas pessoas”, analisa a professora Cristina Moraes.