Mauro Naves e Marcos Uchoa contam como é acompanhar a rotina do time de Felipão

Esta é a quinta e oitava, respectivamente, Copa coberta por eles

Por O Dia

Rio - É marcação homem a homem. O time de Felipão não dá um passo sem ser acompanhado de perto por Mauro Naves e Marcos Uchoa, repórteres da Globo encarregados da cobertura da Seleção na Copa do Mundo. São quase 18 horas de trabalho por dia de olho em Neymar, Oscar, Hulk e companhia em treinos e jogos.

“Já estou acostumado com isso. É cansativo. Mas agora não dá nem para pensar em folga. Faz parte do nosso trabalho perturbar os caras até na folga deles. Mesmo nos dias mais tranquilos, temos que ficar ligados o tempo todo”, conta Mauro, que completa 55 anos amanhã, em sua quinta Copa. “Para mim, a véspera do jogo é mais complicada, porque tem que saber quem vai jogar ou não. Depois não rola tanta pressão, é mais relatar o que aconteceu na partida.”

Veteranos%3A Mauro Naves está cobrindo sua quinta Copa do Mundo e Marcos Uchoa%2C a oitava. ‘Sempre fui apaixonado pela Seleção’%2C diz UchoaDivulgação

Na cola dos craques, Marcos Uchoa, de 55, que cobre sua oitava Copa, acha que as pessoas superdimensionam o trabalho deles. Para quem imagina que os repórteres têm acesso livre aos jogadores, ele esclarece: “O torcedor imagina que a gente conviva com eles, bata papo, mas não é assim. Hoje em dia, a conversa é mínima, é só na hora da coletiva”, diz. “Não tem privilégio, o contato com eles é igual para todos”, confirma Mauro.

Mas seja na Granja Comary, concentração da Seleção em Teresópolis, ou no hotel onde o time fica hospedado antes do jogo, os dois repórteres são sempre abordados por torcedores que sonham com um encontro, um autógrafo ou uma foto com os jogadores. “Um cara me pediu para levar uma camisa para o Neymar assinar; um outro queria mostrar uma música que fez para ele. Isso é
muito comum, os caras não entendem que a gente fica na porta do hotel e não entra”, relata Mauro.

Na época de Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, Uchoa tinha até mais proximidade com os astros. Mas a relação com o grupo atual mudou muito. “Não tenho telefones de jogadores. Eles só nos atendem por assessoria”, diz.

Mauro enfatiza que é bom ter amizade com os atletas, mas sem tanta proximidade. “Se precisar, a gente tem que criticar. Nunca tive intimidade de ir à casa de ninguém, ou de convidar para aniversário do filho. Com isso, a gente corre o risco de comprometer o trabalho.”

Um privilégio

Para os dois, cobrir a Seleção é um privilégio. “É a oportunidade de ser torcedor também, mas podendo falar do time como profissional, comemorar um gol... Quando o time ganha, é muito bom ver o grupo com o sorriso no rosto”, diz Mauro. “Sempre fui apaixonado pela Seleção, é uma das coisas que temos de melhor no país, pelo prazer que sentimos sendo representados pelo futebol. Muitas vezes, consegui resolver situações pelo mundo por ser brasileiro e por causa do futebol”, conta Uchoa.

Como correspondente da Globo, ele morou 11 anos em Londres e mais três anos e meio em Paris. Meses antes da Copa, voltou com a família para o Rio, onde vai reforçar a equipe da emissora até as Olimpíadas de 2016. “Estava com saudades dos amigos”, confessa ele, que agora pode passar mais tempo com a mulher, Tereza, e os filhos Conrado, 25, Lara, 24, e Gustavo, 22. “Uma das razões para eu voltar é poder jogar futebol com eles. Quando fui para Londres, meus filhos eram pequenos. Viajava muito, ficava ausente. Não é fácil encontrar um equilíbrio. A rotina de viagens é chata, mas minha mulher compreende. As crianças sentiam mais”, revela.

Mauro Naves trabalhou oito anos no mercado financeiro antes de entrar na Globo, há 27. Foi jogando pelada com os amigos jornalistas em Brasília que ele se viu estimulado a trocar de profissão. “Mudei radicalmente a minha vida, mas sou muito feliz com isso. Viajei muito, conheci países e pessoas”, ressalta ele, casado com a atriz Patrícia Naves, com quem teve Raíssa, 17, e Maurício, 14. “Perdi o aniversário do meu filho porque no dia seguinte eu tinha o jogo Brasil e México. Se não me engano, só passei dois aniversários com ele, porque neste mês tem sempre Copa América, Copa das Confederações ou Copa do Mundo. Mas meus filhos entendem. Depois, vamos comemorar juntos o meu e o dele.”

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