Por daniela.lima
Dan apresenta o programa ‘Encontro’ e atua no seriado ‘Segunda Dama’%2C ao lado de Heloísa PérisséDivulgação

Rio - ‘Sou ator para desaparecer, não para aparecer.” Essa frase de Dan Stulbach pode ser interpretada, em um primeiro momento, como uma contradição, afinal os flashes estão sempre à procura dos famosos. Mas não é. Ao criar um tipo que é o seu oposto, o ator, que faz o Paulo Hélio da série ‘Segunda Dama’, da Globo, alcança o objetivo de iluminar apenas o personagem e, de certa forma, se tornar invisível.

“Eu e o Paulo Hélio não temos nada em comum. Ele é um exagerado, tem todas as manias das pessoas reunidas. Já tive umas manias, como recolher pregos pelos cenários e guardar nos bolsos, de fazer listas, mas me livrei disso há uns cinco anos”, afirma o ator.

À vontade no seriado de humor estrelado por Heloísa Périssé, Dan também joga por terra a tese de que é um ator mais dramático do que cômico. “A comédia não é uma novidade para mim. Estou fazendo agora uma peça muito engraçada (‘Meu Deus’, que está em cartaz em São Paulo), mas em novelas fiz mais papéis dramáticos, como o Marcos de ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003). Não tem problema se acham que faço mais dramas. A minha única preocupação é mostrar sempre um cara diferente, é me distanciar de mim quando faço um personagem”, explica. 

A arte de se esconder atrás de um personagem é uma ferramenta usada com sucesso por Dan, que, em contrapartida, se revela por inteiro na função de apresentador. A carreira, que segue paralela à dramaturgia, começou no rádio, em 2006, com o programa ‘Fim de Expediente’, da CBN, que vai ao ar às sextas-feiras, para todo o Brasil, às 18h. “Aí, não tem como não expor suas ideias, seu jeito de ser. Você tem que jogar junto com o entrevistado”, diz Stulbach, que ainda participa todas as manhãs do quadro ‘Hora de Expediente’.

Do rádio para a televisão, foi uma transição quase natural. Ao lado de Leo Jaime, Du Moscovis e Xico Sá, Dan comandou por dois anos o ‘Saia Justa Verão’ e fez participações mensais no programa comandado por Astrid Fontenelle. “Ser você mesmo na TV leva um tempo. Demora para a gente não se proteger, não tentar criar um personagem qualquer, mas fica mais fácil quando você está ao lado de amigos”, acredita.

Se despir de um tipo e ser ele mesmo carimbou, definitivamente, o passaporte de Dan para o seleto grupo dos apresentadores. Em janeiro, ele encarou o desafio de comandar o ‘Encontro com Fátima Bernardes’, ao lado de Ana Furtado e Lair Rennó, nas férias da apresentadora. “Foi uma experiência muito rica. Dá um trabalhão, porque a gente chega cedo na emissora, apresenta o programa, almoça e, à tarde, já se prepara para o dia seguinte”, conta. Ter uma atração própria não é necessariamente uma meta, mas, se acontecer, será algo bem-vindo. “Não tenho contrato fixo com a Globo e não recebi nenhum convite concreto nesse sentido. Mas apresentar um programa é algo que me dá prazer”, confidencia.

Dan Stulbach no programa 'Encontro com Fátima Bernardes'Divulgação


O segredo do êxito no novo ofício, Dan não sabe qual é, mas dá pistas. “É importante a gente não se levar tão a sério, ter uma leveza. Sou bem próximo do cara da TV, gosto de falar bobagens, de ir aos jogos de futebol, de sair com os amigos”, revela, discordando de quem o vê como uma pessoa séria demais. “Sou sério no meu trabalho, sou disciplinado com horário, mas não significa que eu seja um chato.”

De fato, bastam alguns minutos de conversa com Dan para se desfazer qualquer impressão de que ele é um cara fechado. Quando o assunto é Copa do Mundo, então, esse corintiano, de 44 anos, que está dando expediente como comentarista do canal ESPN até o fim do Mundial, é a empolgação em forma de gente. “Estou acompanhando muito a Copa. Acho que temos condições de ser hexa, até porque um campeão precisa ter uma boa defesa, e a nossa zaga é ótima. E ainda temos o Neymar, que é um jogador único”, elogia ele.

Discorrer sobre diversos assuntos com desenvoltura é um dos talentos de Dan, que só tenta desaparecer, assim como faz quando está interpretando um personagem, no momento em que é questionado sobre a sua vida pessoal. “Sou casado e pai de um casal de filhos. Quanto menos o meu ninho for conhecido, melhor. Quero poder ser uma pessoal normal, ser simplesmente eu.” 

Reportagem: Regiane Jesus

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