Por daniela.lima
Bia Willcox%3A Não consegui surpreender vocêsDivulgação

Rio - —Decidi o tema da minha próxima coluna. Assim como em outra quinta eu falei do acaso em relação aos fatos e acontecimentos da vida da gente, quero falar do fator surpresa nos relacionamentos.

— Como assim, Bia?
— Quero falar que a verdadeira química de um casal é a capacidade de se surpreenderem um com o outro.
— Bom tema. Já começou a escrever?
— Não, Marcelo. Por isso tô te ligando. Não consigo achar um formato, um jeito de falar que surpreenda os leitores. Tenho lido textos surpreendentes por aí. Embotei!
— (risos) Por que, meu Deus?

— Ah, não tenho inveja nem de cabelo nem de bunda alheia, mas de um texto criativo e inovador, humm... Sorte que, se ela existe, é da branca. E dizem que inveja branca não faz mal nenhum. Acho que é dessas... Virei fã de alguns colunistas por aí. O problema é conseguir escrever algo que eu goste depois de lê-los.

— Mas o conteúdo pra quinta você tem e é bom. Surpreender o outro, principalmente se os dois estão juntos há muito tempo, é literalmente sair do sofá e agir.

— Pois é. Uma vez me perguntaram: “Se sexo é tão maravilhoso, por que, muitas vezes, mesmo sendo maravilhoso para os dois lados, não vai além do sexo?” É duro achar uma resposta, já que as fórmulas são falhas e cheias de exceção, mas acho que o que faz a roda girar e o relacionamento passar do sexo, ou mesmo acontecer sem ele, é o encantamento. A palavra é essa: encantamento. E a gente se encanta com o que nos toca, com aquilo que nos surpreende. Seja em atitudes, valores, seja intelectualmente ou até mesmo algo ali na cama. Mas não dá pra viver sem o inesperado (mesmo que parcialmente inesperado).

— E o que você tá esperando pra começar a escrever?
— Ah, Marcelo. Meus textos em cinco ou seis parágrafos tão sem graça já. Sempre a mesma coisa. Coitados dos leitores. Pensei em usar o Instagram pra ajudar, pensei em letra de música, Lulu Santos talvez. Pensei em verso ou ficção. Achei tudo batido, ‘vanilla’. Afinal eu tô falando de surpreender, né? Quero falar não só de quem manda flores (mandar flores, apesar de romântico, pode não ser tão surpreendente assim), mas de quem, para dar apoio a você, vem com uma ideia diferente, de quem concorda com o que você achou que ia causar polêmica entre o casal, ou de quem tem aquele ciúme na medida certa, quando você esperava indiferença. Quero falar do politicamente incorreto que nos faz rir, da poesia lida fora de hora ou mesmo do sexo em local e hora inesperados. Repara que não tô falando das surpresas que envolvem gastos e grana, que também podem ser incríveis. Tô falando das surpresas do espírito. Essa é a verdadeira química, né não?
— Sim, sim. E não acho que só valha se for 100% espontânea. Surpreender é um exercício. Exercício de dia a dia, de manutenção também.

— Exato. O encantamento é como o gozo humano, se dura bastante, vira felicidade (risos). E, pra manter a admiração e o tesão, é preciso encantar-se pelo outro, sem hora marcada.
— Bia, você tem a crônica. Começa aí e me manda pra ver. Vou desligar porque hoje eu tô trabalhando de casa e vou parar pra cozinhar meu almoço.
— OK. Vou tentar abrir a torneira aqui. Fica no WhatsApp pra eu trocar com você se precisar. Tô insegura. Mesmo.
— Fico, sim. Boa sorte.

Obs: O Marcelo acima é o Pacheco, um amigo imaginário, metade grilo falante e metade anjo da guarda

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