Por daniela.lima

Rio - Famoso pelas letras profundas de suas canções, o uruguaio Jorge Drexler tinha um objetivo simples com seu álbum mais recente, ‘Bailar en la Cueva’: fazer dançar, como o título entrega. “Tenho muita vontade de fazer músicas com ideias e sentimentos, mas queria fazer um disco que falasse ao corpo. Neste momento da minha vida, eu ‘desfruto’ de dançar. Passei quatro anos viajando com o outro álbum. Depois dos ‘concertos’, caía na balada”, diz, numa charmosa mistura de português e espanhol.

Jorge Drexler contou com diversos convidados da América Latina no disco ‘Bailar en La Cueva’ Divulgação


Para conseguir esse clima, ele foi até Bogotá, na Colômbia, onde gravou uma parte do disco — a outra foi feita em Madri, na Espanha, onde Drexler vive há anos. “Adoro a música colombiana, tenho família na Colômbia e sempre trazia música de lá. Quis conhecer melhor a cena musical do país. Eles fazem uma música contemporânea sofisticada. A do Brasil, nesse sentido, é bem parecida. O CD poderia ter sido feito no Brasil, mas eu queria ‘provar’ um mundo um pouco diferente”, explica.

Além do grupo colombiano Bomba Estereo, o disco traz participações da cantora chilena Ana Tijoux, do músico porto-riquenho Eduardo Cabra (da banda Calle 13) e de Caetano Veloso. “Já tinha vontade de trabalhar com ele há muito tempo (risos). Conheço bem o repertório dele e sua música significa muito para o que faço. Fui ver o (show do CD) ‘Abraçaço’ em Bogotá e ele me chamou para jantar. Estávamos em um restaurante com sua equipe quando alguém que não conhecíamos disse: ‘E vocês dois, quando vão fazer algo juntos?’ O Caetano respondeu: ‘Eu gostaria muito.’ Falei: ‘Se é verdade, estou fazendo um disco aqui, amanhã te mando uma música.’ Era ‘Bolívia’, que o filho dele, Moreno, batizou de ‘cumbia tropicalista’.”

Amigo de diversos músicos daqui, Drexler revela o desejo de gravar com outro brasileiro: Chico Buarque. “Só nos encontramos pessoalmente uma vez, por alguns minutos, em uma sala de ensaios no Rio. Para mim, ele é o maior compositor do mundo iberoamericano, talvez o maior do mundo. É o meu preferido”, elogia. “Gravar com ele seria um sonho. Esse é um convite público (risos). Mas já fico feliz só em ouvir a música dele.”

Morando em Madri e casado com a atriz e cantora espanhola Leonor Watling, Drexler, no entanto, revelou desde o início da Copa que iria torcer pela Celeste. “Adoro a Espanha, mas não tinha como eu não torcer para o Uruguai, assim como meus filhos (Pablo, 16 anos, do casamento com a cantora Ana Laan; e Luca, 5, e Lea, 3, do atual relacionamento). Volto para lá com frequência. Meus filhos têm uma relação direta com o país. E estou muito orgulhoso do momento histórico que ele está vivendo. O Uruguai nunca teve uma imagem tão favorável como a que o (presidente) Mujica deu. Ele sabe o que importa ao mostrar o país para o mundo.”

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