Por tabata.uchoa
Elenco atua conforme as dicas da plateia na peça ‘Caso a Caso’Diana Herzog / Divulgação

Rio - Pode usar o celular pra mandar declaração de amor, piada e até sugestões de atuação para os atores da peça ‘Caso a Caso’. O importante é participar. No espetáculo de João Rodrigo Ostrower, que encerra sua temporada hoje no Espaço Sesc, em Copacabana, a plateia é quem comanda as ações e gestos do elenco. 

“A gente tem um texto base. Mas são quatro artistas em cena fazendo o que o público manda. É um texto e uma peça diferente a cada dia”, conta o ator Alexandre Barros.

Assim que chega ao teatro, o público recebe um panfleto com orientações e os números dos celulares dos artistas, para que possa sugerir movimentos durante a atuação deles, através de mensagem de texto ou pelo aplicativo WhatsApp.

“É bastante desafiador, porque a gente tem um roteiro, mas precisa estar muito atento e aberto para o que vem do público. Tudo acontece durante um jogo de cartas, uma final de sueca, mais precisamente. E as pessoas é que vão dizendo como devemos conduzir cada jogada”, acrescenta o ator.

Diante de tantas mensagens, a tarefa de filtrar o que vai entrar e o que vai ficar de fora da peça se torna bem complicada. “A gente não faz tudo que o público sugere. As pessoas mandam muitas mensagens e muita gente fica de brincadeira. Mas uns têm ideias ótimas. O difícil também é saber em que momento vamos usar algo sugerido pela plateia. Tem muita coisa boa que acaba não entrando por causa do tempo”, explica Alexandre, que já recebeu cantadas e convites para sair.

“A gente recebe, sim. Já me perguntaram que horas acabaria o trabalho. Mas levo tudo na brincadeira. Tem mensagem que é muito divertida e eu fico com muita vontade de rir. Às vezes consigo me segurar, mas às vezes solto uma gargalhada.”

O intuito do espetáculo é mostrar que o acaso faz parte da vida de todos e de que forma as pessoas conseguem se virar diante de algo inusitado. “É como a vida real, onde tudo pode acontecer”, reflete o ator, que gosta do novo conceito de teatro.

“Não acho que seja uma tendência esse tipo de peça interativa, mas, com certeza, é muito interessante. Todo mundo fica com vontade de interferir em alguma coisa quando está na posição de espectador.”

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