João Pimentel: Um capricho dos deuses

Acredito que o mesmo orgulho que esperamos sentir desses jovens é o que eles devem estar sentindo de seus conterrâneos

Por O Dia

João Pimentel%3A Um capricho dos deusesDivulgação

Rio - Não creio que foram os deuses do futebol que salvaram a seleção brasileira do castigo de ser eliminada pelo Chile já nas oitavas de final, em nosso próprio país, no sábado passado. Isso deve ter sido coisa de outros deuses menos citados, como os da diversão, da receptividade, do calor humano, e das fan fests da vida. Isso porque, bem mais que o futebol que vem sendo jogado pela nossa seleção, é a nossa gente que não merecia ser eliminada tão precocemente. E, nesta Copa, em que o povo brasileiro é o protagonista, nossos próprios jogadores são queridos mais por suas atitudes, pela alegria e pelo espírito de união fora de campo do que pelo que têm feito dentro das quatro linhas.

Mas, da mesma forma que uma Copa nos faz conhecer melhor histórias de vida como as do Thiago Silva, do Marcelo, do David Luiz e outros meninos, ela também serve para reaproximá-los da realidade brasileira, do aconchego da melhor torcida do mundo, que não é a que está dentro, mas fora dos estádios, nas ruas, nas praças, no entorno da Granja Comary.

Acredito que o mesmo orgulho que esperamos sentir desses jovens é o que eles devem estar sentindo de seus conterrâneos. O padrão Fifa quer um mundo europeizado, careta, frio, com tudo em seu devido lugar. E foi assim na Alemanha, na França, na África do Sul, na Coreia e no Japão. Mas uma Copa no Brasil jamais seria uma Copa qualquer.

Por mais que se reclame que o povo nos estádios não ensaiou um bom repertório musical, foi ele quem inventou o ‘olé’ com cinco minutos de partida apenas para zombar de um time mais forte; foi ele quem incentivou seleções menores como a Austrália, o Irã e a Bósnia a se encherem de brios e partir para cima de Espanha e Argentina. O brasileiro ama o futebol, mas também não perde uma boa festa. Então, fiquei desde o início curioso para saber o que a Fifa esperava da festa de bola aqui, com todos os nossos problemas, que não são poucos, mas com toda a nossa alegria...

E deu no que deu. Implicaram, reclamaram, com razão, do atraso das obras, queriam até chutar a nossa bunda. Até a bola rolar. Aí, dona Fifa, Blatter, Valcke e todas as seleções descobriram o Brasil. Aliás, o melhor do Brasil, que é a nossa gente. E muitas seleções entraram no clima brasileiro. Muito holandês vai sentir falta do sol, do mar e das garotas de Ipanema; vai ter alemão de cintura dura aplicando, em terras germânicas, o ‘Lepo lepo’ aprendido em Santa Cruz Cabrália; e argentino a rodo morando nas areias de Copacabana após o Mundial. Aliás, ouvi falar que os moradores da Princesinha do Mar estão pedindo a volta dos moradores de rua e a saída dos ‘hermanos’, que também não têm um tostão e dão muito mais dor de cabeça.

Mas, brincadeiras à parte, o fato é que as defesas de Julio Cesar prolongaram esta farra que já se aproxima da reta final. Penso que uma derrota seria o equivalente a organizarmos uma festa, contratarmos os melhores músicos, o melhor bufê, chamarmos nossos grandes amigos e, em cima da hora, por algum motivo inesperado, ficássemos de fora. Ah, não! Essa não!

Esperamos que o péssimo jogo com o Chile tenha sido apenas um contratempo, que a Colômbia não passe de mais um vizinho chateado com o nosso barulho e que todos os deuses tupiniquins permitam que a nossa festa transcorra normalmente até o sol raiar!

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