Luis Pimentel: Que venham os colombinos!

Lembrei do Mané Garrincha , declarando às vésperas de jogo contra a Bélgica: 'Que venham os belgicanos!'

Por O Dia

Luis Pimentel%3A Que venham os colombinos!Divulgação

Rio - Depois da vitória Juliocesariana e épica de nossa Seleção contra os chilitas (esta é a seleção de futebol chilena mais estilosa de todas as Copas), me lembrei do Mané Garrincha (segundo versão provavelmente fantasiosa do grande jornalista Sandro Moreyra), declarando às vésperas de jogo contra a Bélgica:
– Que venham os belgicanos!
Aí pensei que agora o Brasil pega a Colômbia. E que, pela emoção e festividade que sua torcida tem exibido por aqui, eles estão muito mais para alegres colombinos do que para colombianos. E fiz um exercício:

+ Depois da dentada histórica do Luisito Suarez, os uruguaios saíram daqui com a fama de urugarfos!
+ A decepção espanhola dá a eles a merecida fama de espanhados!
+ Os italianos, tetracampeões do mundo, fizeram campanha quase pífia e foram recebidos em Roma, no desembarque, como italiapagados!
+ Pelo que mostrou nesta Copa, a Costa Rica enriqueceu ainda mais em prestígio internacional. Seu povo agora é justamente reconhecido como costa­milionários!
E por aí vai.
Que depois de amanhã o milagre dos pés do Neymar, das mãos do Julio Cesar e da força das traves se repita. E que venham os colombinos!
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Assistindo ao jogo entre amigos, uma amiga gritou, quando o Marcelo tocou pela primeira vez na bola:
— Vai, neguinho gostoso!
— Isso dá processo — disse, ao lado, alguém politicamente correto.
E ela:
— Pois é. Mas afrodescendentezinho não dá tesão!
Compreendo a minha amiga. Lancei há pouco um infantojuvenil chamado ‘Neguinho Brasileiro’, e sinto saudade do tempo em que chamar um amigo querido de neguinho, ou um amor de minha nega, não era crime.
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Dicionário lúdico do Planeta Bola (Verbetes escolhidos)

Ataque — Quando a bola chega no ataque do seu time, o torcedor começa a atacar as próprias unhas. Quando o centroavante tem um ataque de bobeira, ele invariavelmente tem um ataque de nervos. É o momento mais perigoso do jogo.
(Gol de) Bicicleta — Leônidas da Silva inventou, Pelé aperfeiçoou e os peladeiros o desmoralizaram.
Bola — Os enamorados a apalpam de um jeito (lembra uma circunferência feminina), os poetas a enxergam de outro (é a lua!), os pernas de pau a maltratam e os craques a cobrem de mimos e de declarações de apreço e gratidão. A bola é o mundo em estado de infância.
Chute — Craque polivalente era aquele: se orgulhava de chutar com as quatro! O chute tem dois sentimentos básicos: quando acerta é uma beleza. Quando erra é uma tristeza.

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