Por karilayn.areias

Rio - Um dos símbolos da era mágica do rádio brasileiro na década de 1950, a voz de mezzo-soprano de Angela Maria vem resistindo ao tempo. Aos 85 anos, a cantora fluminense continua em atividade. Contudo, a ‘Sapoti’ — como era conhecida no período áureo da carreira — atualmente já canta nos tons baixos da maturidade. Para quem quer ouvir o tom e o gosto original da voz da ‘Sapoti’, a caixa ‘Rainha do rádio’ traz gravações feitas pela artista entre 1955 e 1956.

Angela Maria canta músicas de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) em gravações feitas em 1955 e 1956Divulgação

Produzida pelo pesquisador musical Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, a caixa embala quatro CDs com gravações extraídas dos áudios de várias edições do programa ‘Angela Maria canta’, apresentado ao vivo pela artista no auditório da Rádio Nacional, a ‘PRE-8’, como era conhecida também a emissora que tinha alcance realmente nacional, propagando vozes, modas e costumes.

Sob patrocínio do colírio Moura Brasil, como enfatizado a toda hora pelo locutor, Angela Maria se apresentava aos sábados à tarde e dava sua voz potente e extensa a sucessos da época com tratamento orquestral, diante de plateia passional. O coro em ‘Lábios de mel’ (Waldir Rocha), aliás, valoriza a gravação ao vivo ouvida no CD 1.
A qualidade técnica é precária. Contudo,o alto valor documental desses registros torna a caixa ‘Rainha do rádio’ recomendável para colecionadores de discos. A qualidade do repertório por vezes não está à altura da voz da intérprete, mas há joias a serem (re)descobertas, como o samba ‘Rio é amor’ (Bruno Marnet).

Embora a voz de Angela seja associada aos boleros e sambas-canção de tom mais dramático, seu repertório incluía músicas eventuais de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), compositor de ‘Não devo sonhar’ e ‘A chuva caiu’, músicas dos CDs 2 e 3. A ‘Sapoti’ sabia degustar o fino.

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