Rubens Ewald Filho fala sobre 6º Paulínia Film Festival que começa hoje

Curador do evento analisa nova safra de filmes e avisa: ‘Vai dar o que falar’

Por O Dia

Rio - O clima é de retomada no 6º Paulínia Film Festival, que começa hoje e vai até o dia 27, na cidade do interior de São Paulo. Após um hiato de dois anos sem premiações e uma modesta edição no ano passado, o evento promete surpresas e o mesmo clima de seus tempos áureos. Além de prêmios de até R$ 300 mil e programação de longas nacionais e curtas inéditos, vai exibir filmes internacionais pela primeira vez.

Fernanda Montenegro faz a matriarca%2C Dona Mocinha%2C no longa 'Infância'Divulgação


A abertura terá direito a tapete vermelho no Teatro Municipal Paulo Gracindo, onde será exibido ‘Não Pare a Pista: A Melhor História de Paulo Coelho’, de Daniel Augusto, hoje à noite. Mas organizar a 6ª edição não foi fácil. O diretor Ivo Melo, a secretária de Cultura Mônica Trigo e o curador Rubens Ewald Filho precisaram unir todas as suas forças para torná-la real.

“O prefeito anterior não previu orçamento para o festival. O que nos acarretou muitos problemas. Para se ter uma ideia, somos só três pessoas organizando tudo. Não tenho assistente, tive que ver todos os filmes inscritos (263) sozinho”, desabafou o curador, lembrando o golpe sofrido pelo evento, em 2012, quando o então prefeito da cidade José Pavan Junior cancelou o festival.

esmo com as limitações da retomada, Ewald Filho está otimista e animado com os títulos que recebeu e os que, por fim, selecionou. “Foram 70 longas inscritos e achei todos muito bons. Por isso, a escolha não foi difícil”, comenta ele, que se surpreendeu com a recorrência de alguns assuntos entre os curtas: “Teve muita coisa com serial killers e filme gay”.

Entre as produções internacionais estão filmes da Imovision, homenageada do festival junto ao cineasta Cacá Diegues. A distribuidora, que completa 25 anos, exibirá sete títulos em Paulínia. Entre eles, ‘Bem-vindo a Nova York’, de Abel Ferrara, com Jacqueline Bisset e Gérard Depardieu, e ‘A Imigrante’, de James Gray, com Joaquin Phoenix.

A meta é apresentar ao público uma programação que trabalhe com a diversidade e agrade a todos os gostos. “Também tentamos ser uma vitrine para filmes com baixa distribuição”, explica o curador citando ‘Sinfonia da Necrópole’, de Juliana Rojas “É um musical em um cemitério. Vai dar o que falar e tenho certeza que tem gente que vai me xingar!”.

Os temas tratados na programação podem ser diversos, sim, mas, em geral, são polêmicos. Em ‘Boa Sorte’, de Carolina Jabor, Deborah Secco precisou perder 12 quilos para interpretar uma portadora do vírus HVI que se apaixona por um jovem problemático em uma clínica de reabilitação. Em ‘Sangue Azul’, de Lírio Ferreira, Daniel de Oliveira e Carol Abbras são irmãos separados pela mãe ao temer o incesto entre eles. Mas a grande aposta de Ewald Filho é ‘Infância’, dirigido por Domingos de Oliveira e protagonizado por Fernanda Montenegro. “Acho que é o filme que Domingos esperou todos esses anos para fazer”, arrisca ele sobre a história de uma matriarca bastante rígida que é fã de Carlos Lacerda.

Burocracia e otimismo dividem uma cidade

Rubens Ewald Filho%2C curador do 6º Paulínia Film Festival que começa hoje%2C analisa nova safra de filmes e avisa%3A ‘Vai dar o que falar’Divulgação

Criado junto com o festival para transformar Paulínia na ‘Hollywood Brasileira’, o polo cinematográfico de lá também teve suas atividades interrompidas a partir de 2012. No início deste ano, foi aberto um novo processo de edital e regulamentada a lei de fomento de investimento público anual na cultura — o que deixou otimista a classe cinematográfica nacional. Porém, a burocracia ainda causa empecilhos ao processo de retomada, tanto do polo como do festival, que já foi uma das plataformas mais disputadas de lançamento do país.

“O evento será mais curto desta vez. Em vez de sete, terá apenas cinco dias de programação. Como houve a Copa do Mundo e estão chegando as eleições, precisamos reduzir a duração”, diz o curador Rubens Ewald Filho. Aos poucos, ele acredita que Paulínia poderá superar o que ele chama de ‘herança maldita’ dos tempos de hiato. “Paulínia já conseguiu produzir mais de 50 filmes em três anos, o que é muita coisa. Agora, vão ser uns 12 filmes com o novo edital. Estamos pegando fôlego de novo. Ficamos aflitos, mas tudo demora um pouquinho para acontecer mesmo”, avalia ele.

A secretária de cultura do município de Paulínia, Mônica Trigo, reforça o discurso de Ewald Filho: “O festival é a apoteose de um processo econômico, de inclusão social e de capacitação. Temos escola de stop motion (técnica de animação) para crianças em escolas públicas e já capacitamos 2.400 crianças assim”.

Este ano, os longas que concorrem aos prêmios do 6º Paulínia Film Festival são: ‘A História da Eternidade’, de Camilo Cavalcante; ‘Aprendi a Jogar com Você’, de Murilo Salles; ‘Boa Sorte’, de Carolina Jabor; ‘Casa Grande’, de Fellipe Barbosa; ‘Castanha’, de David Pretto; ‘Infância’, de Domingos Oliveira; ‘Neblina’, de Fernanda Machado e Daniel Pátaro; ‘Sangue Azul’, de Lírio Ferreira, e ‘Sinfonia da Necrópole’, de Juliana Rojas. Além dos longas nacionais, ainda há uma mostra de curtas-metragens, outra com filmes infantis e também uma programação com os longas-metragens internacionais da Imovision, uma das homenageadas desta edição.

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