Por daniela.lima

Rio - A história de Ricardo Cota com a Sétima Arte é antiga. Lá se vão 31 anos de vida ligados ao cinema. Formado em Jornalismo pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Cota é o novo colunista do DIA. A partir de amanhã, ele assina ‘Cinelândia’, prometendo seguir um caminho diferente da maioria. “A coluna não vai se prender aos lançamentos. Terá uma atenção maior com o cinema nacional. Estou muito feliz, pois é uma versão diferente do usual; uma crônica, uma coisa mais solta. Isso dá uma ligação sentimental com o cinema que, para mim, é a base de tudo”, diz.

Ricardo Cota posa no tradicional Cine JoiaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia


E, para quem não sabe, Ricardo Cota está, na verdade, voltando ao DIA depois de 22 anos. Em 1988, ele começou na casa como interino na coluna de cinema assinada por Nelson Hoineff e Wilson Cunha. “Foi o primeiro jornal de grande circulação em que trabalhei. Cacá Diegues, em seu último livro, cita uma das críticas que escrevi no DIA, sobre o filme ‘Dias Melhores Virão’. Acredito que não seja um retorno, porque nunca deixei de estar próximo. Mas a grande novidade é poder ter um espaço para falar de cinema sem o compromisso dos lançamentos semanais. Isso que achei bacana. Claro que vamos falar do que está em cartaz, mas essa não é a preocupação. A ideia é mostrar como o cinema toca as nossas vidas”, ressalta.

Depois do DIA, o crítico foi para o ‘Jornal do Brasil’, onde trabalhou por dez anos. Também foi editor da revista ‘Cinemin’, participou como debatedor do programa ‘Sem Censura’ (comentando filmes) e foi autor de três cursos no Centro Cultural Banco do Brasil que tinham como temas grandes diretores.

Do cinemão, Ricardo Cota é fã de clássicos. ‘Cantando na Chuva’, de 1952, de Stanley Donen e Gene Kelly, e ‘Crepúsculo dos Deuses’, de 1950, de Billy Wilder, são seus longas favoritos. Entre os diretores, ele destaca Almodóvar e Woody Allen.

À maior parte dos filmes o crítico assiste em casa. “São quatro ou cinco por semana. Queria que fosse um por dia, mas o tempo é corrido. Hoje, o que me tira de casa é Almodóvar, Woody Allen e qualquer documentário; todos me interessam. Os últimos que chamaram minha atenção foram ‘Elena’, de Petra Costa, que conta a história da própria irmã, que foi viver nos Estados Unidos; e ‘Life Itself’, de Steve James, sobre um crítico de cinema chamado Roger Ebert. Tive a oportunidade de assistir em Cannes e, acredito, tem grandes chances de concorrer ao Oscar de Melhor Documentário ano que vem”, conta.

E sobre o cinema nacional, Cota é quase só elogios. “A afirmação no mercado e a grande diversidade de títulos são os pontos mais positivos. Em contrapartida, acho que é possível melhorar a constância das exibições. Embora tenhamos muitas produções, leva-se muito tempo entre um filme e outro”, avalia.

A falta de investimento em infraestrutura é outro ponto crucial na opinião do crítico. “Ao mesmo tempo em que temos uma demanda enorme para o cinema, vemos muitas salas de rua fechando suas portas. E há uma reação dos espectadores. Por que os espaços estão diminuindo se há tanto público? Não sei dizer. Mas meu palpite, no caso das salas de rua, é que falta investimento para a modernização. Os cinemas de rua precisam se modernizar, pois, caso contrário, as pessoas vão continuar lotando os shoppings. O público está mais exigente”, afirma Cota, fazendo um pouco de suspense sobre o tema da primeira coluna. “Vamos falar sobre o cinema nacional. É só o que posso adiantar. Espero que todos gostem, pois será um espaço muito interessante”.

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