Por daniela.lima

Rio - É inegável que a vida de Paulo Coelho reúne muitas boas histórias. Tanto que isso está contido em um trocadilho no título do filme sobre ele: ‘Não Pare na Pista — A Melhor História de Paulo Coelho’. O problema é quando o muito vira excesso. A fragmentação da trama não respeita o tempo emotivo dos personagens e das situações que os rodeiam. O resultado é como um tiro no pé: fica difícil se envolver e se emocionar com eles.

O ator Júlio Andrade encarna o escritor Paulo Coelho no filmeDivulgação


O esmero técnico da produção é explícito. A fotografia, a maquiagem, as atuações, a direção de arte... Tudo é de ótima qualidade. O que, infelizmente, não basta para torná-lo tão atrativo quanto a vida que tentou retratar. Dirigido pelo estreante Daniel Augusto a convite da roteirista e produtora Carolina Kotscho (‘Dois Filhos de Francisco’), o longa retrata três fases do escritor que se misturam em uma ordem confusa, que nada acrescenta ao filme.

Na primeira fase, temos o jovem problemático (Ravel Andrade) que tentou suicídio, foi internado pelos pais em um hospício e tomou choque elétrico. Na fase adulta, interpretada por Júlio Andrade, vemos o parceiro de Raul Seixas e seu envolvimento com misticismo, sexo e drogas. Por fim, também é Júlio que, com uma prótese de 5 kg e 6 horas de maquiagem, encarna Paulo aos 66 anos.

Nos deparamos com um filme que apresenta uma história profunda de maneira superficial. O resultado ficou aquém do potencial do projeto.

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