Por karilayn.areias
Publicado 16/08/2014 22:59 | Atualizado 16/08/2014 23:27

Rio - Dona de um sotaque incrivelmente carioca, a bela Raquel Tavares, 29 anos, precisa sempre explicar mais de uma vez que, sim, é uma fadista. E que nasceu em Lisboa, no bairro do Alfama. “Mas consigo falar em português de Portugal também, quer ver?”, brinca ela, que encerra hoje a segunda edição do Festival de Fado, às 18h na Cidade das Artes. E, para comprovar, solta meia dúzia de frases com acento.

Raquel%2C que ama o Rio e uma boa feijoada%2C faz pose e dançaAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Como várias novelas brasileiras passam em Portugal, ela garante que o sotaque carioca é aprendido rapidinho por quem mora lá. “Muitos acham que as fadistas são idosas e de bigode. Como também acham que o fado é triste. Ele é como o samba: tem a ver com a festa, é feito do povo para o povo. E as cantoras tradicionais de Portugal, como a Amália Rodrigues, eram mulheres lindas, divas”.

Raquel conheceu o Rio apenas em 2012. E, após seis duradouras visitas, já se considera meio carioca. “Na primeira vez, chorei para ir embora. Foi quase um desmame. Hoje, se alguém fala que o Rio é perigoso, eu brigo!”, conta. Adotou uma família da Barra da Tijuca e, além de frequentar o bairro, vai ao Salgueiro, à Lapa. Aprendeu a tocar pandeiro, tornou-se fã de Clara Nunes e de Chico Buarque (“Se eu o conhecer pessoalmente, vou enfartar”, brinca). Mais: fez uma música em parceria com Xande de Pilares (‘Aceita’, que já está sendo cantada em shows por ambos) e já foi desafiada pelo novo amigo num duelo de versos, típico de sambistas. “Perdi, claro, né? Mas o Xande me deu uma dica, que é a de sempre pensar na última coisa que vou falar, porque aí aparecem as rimas”, ensina ela. Que, por sinal, namora um cavaquinista — o nome não revela nem por um prato de feijoada, uma de suas comidas preferidas no Rio.

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