Rio - Priscila Sol não é de meias palavras, não se autocensura. Para toda e qualquer tipo de pergunta há uma resposta na lata, sincera. É como poucas no meio artístico. Original. Não é à toa que se destacou na novela ‘Viver a Vida’ (2009) disputando o amor de Jorge (Mateus Solano) e agora volta a brilhar, escolhida para o papel da intensa Ariela, casada com o jornalista Raul (Marcos Palmeira), que depois de perder a mulher e o emprego, vira um cafetão no sensual e perigoso mundo da prostituição de luxo, na série ‘A Segunda Vez’, do Multishow.
“A Ariela está disposta a amar esse homem, quer construir uma família, mas ele não está disposto agora, apesar de amá-la, do jeito dele. Para viver com uma pessoa você tem que abrir mão de muita coisa”, explica a atriz. Mesmo sabendo que foi traído, nos próximos episódios eles terão uma recaída, vão passar a noite juntos e ela vai engravidar. Raul é um cara imaturo, inconsequente, boêmio, bebe, cheira cocaína. Ariela é contra. Já Priscila, na vida real, é a favor da legalização das drogas e, sem falso moralismo,
assume que fuma maconha quando bem entende.
“Nunca cheirei cocaína, já tomei chá de cogumelo, uma vez, na Nova Zelândia, quando fazia intercâmbio. Eu tinha 18 anos, era contra, mas estava na tribo Maori, onde todo mundo tomava chá. Tomei também e fiquei ‘retardada’. Aí acabei traumatizada com drogas. Fui experimentar maconha, de verdade, conscientemente com uns 24 anos, depois que tive meu filho (Vitor, 11 anos). Nunca comprei, nunca bolei, mas quando rola e tenho vontade, eu dou um pega. Sou a favor, tem que legalizar. Tem um monte de gente morrendo por causa dessa hipocrisia”, contesta.
Em casa, o assunto também não é tabu. Minha mãe (Carmen) é careta, mas eu falo para ela que já experimentei. Tenho amigos que fumam diariamente. Mas, pra mim, tem que ser uma celebração: hoje vou me dar ao luxo de fumar um baseado. Qualquer vício, seja em academia, álcool, maconha, que se faz para camuflar um sentimento, não é legal. Eu não vicio em nada, porque experimentei tudo tarde. Meu primeiro porre foi aos 19 anos, de espanhola (vinho com abacaxi e leite condensado), em Peruíbe, litoral de São Paulo”, lembra.
Com o filho, o papo rola abertamente: “Converso sobre tudo. Ele vai ser um ‘caxias’, um nerd, tenho certeza que não vai beber nem fumar, mas não falo ‘não’. Quando eu tinha 14 anos, meu pai (Mika), um ano antes de ele morrer, me perguntou: ‘Filha, você já fumou maconha?’ Eu disse: ‘Não.’ E ele falou: ‘O dia que você sentir vontade, pode doer no papai, mas quero que você me fale, porque eu vou procurar uma maconha, da melhor, e a gente vai fumar junto. Aquilo ficou na minha cabeça. Quando eu senti vontade estava consciente, não fiz no embalo de ninguém.”
Para esse novo trabalho no canal a cabo, a paulista, de 34 anos, encarou, sem estrelismos, o que foi proposto pelo diretor César Rodrigues. “A gente está contando uma história e não existe uma trama de amor sem beijo, sem sexo. Sou uma mulher real, e uma mulher real tem manchas, estrias, celulite. Não é fácil tirar a roupa. Tenho uma cicatriz no peito, porque fiz uma redução de mama e tive um problema. A cicatriz abriu e ficou uma marca grande, mas nunca arrumei porque meu namorado acha meu peito lindo assim. Mas e aí, vamos assumir para Ariela essa cicatriz? Vamos e achei legal, porque quantas mulheres têm cicatrizes e a TV não mostra? Quando a gente conversou, o diretor me disse: ‘Seu teste foi incrível, só que preciso ser sincero, tem umas cenas pesadas e não quero ver a atriz se escondendo.’ Quando tem essa consciência tudo rola mais fácil”, frisa.
Priscila também deixa claro que nunca se envolveu com um colega de profissão por conta das cenas mais íntimas. “Eu nunca me atraí por nenhum ator. Já bloqueio logo, se tiver um olhar, finjo que nem vejo. Me atraio pelo diferente”, avisa.
Namorando há três anos e meio o publicitário João Faria, oito anos mais novo que ela, Priscila afirma que existe, sim, ciúme dos takes mais quentes. “Graças a Deus. Odiaria se meu namorado falasse: ‘Amor, você vai aparecer pelada na TV, que legal.’ Eu ia falar: ‘Tchau. Desculpa, mas não é esse o namorado que eu quero para mim.’ É natural sentir ciúme, é cuidado”, acredita.