Irlandesa escreve trama sobre Cristo Redentor

Lucinda Riley vem ao Brasil para lançar primeiro livro da série ‘As Sete Irmãs’

Por O Dia

A irlandesa Lucinda Riley%2C que se apaixonou pelo Cristo RedentorDivulgação

Rio - Em 2011, uma vidente disse à escritora irlandesa Lucinda Riley que ela visitaria o Brasil em breve. Mal sabia ela que a visão se concretizaria e que ela acabaria se apaixonando pelo Rio. Foi bem assim: quando chegou à Cidade Maravilhosa, depois de passar por São Paulo e Curitiba, deu de cara com o Cristo Redentor e não se segurou.

“Quando eu vi (o Cristo) iluminado de branco em cima de mim, pela primeira vez, meus olhos se encheram de lágrimas. É difícil descrever a profunda emoção que senti.” Riley já tinha visto muitas fotografias do país e do monumento, tiradas pelo filho (Harry), que havia feito intercâmbio por aqui. “Mas quando vi de perto foi marcante. Entendi a sua magia”, lembra a escritora, que, de tanto encantamento, decidiu escrever um livro em que incluiria histórias sobre o mais célebre cartão-postal carioca. Nasceu, então, ‘As Sete Irmãs’ (Ed. Novo Conceito, 560 págs, R$ 39,90).

“Eu me apaixonei verdadeiramente pelo Cristo. Comprei todos os livros que podia para ler sobre o Rio da década de 20 e sobre sua construção”, conta a escritora. “A história do Brasil não é muito divulgada fora daqui. Sobre o Cristo, em particular, havia ainda menos informações. Tive que voltar para pesquisar mais detalhes”, afirma Riley que, entre uma pesquisa e outra, conheceu Bel Noronha, bisneta do engenheiro Heitor da Silva Costa, responsável pela construção do Cristo. “Acabamos nos tornando amigas e ela me contou a verdadeira trajetória da construção, que, ao que me parece, tem muitas versões”, diz.

A trama fala sobre um homem solteiro e misterioso que adota seis meninas, trazidas de diferentes partes do mundo. Esse pai adotivo morre e as filhas saem em busca de suas próprias histórias. Entre elas a brasileira brasileira Maia D’Apliéseé, adotada quando ainda era um bebê. Aí entram as memórias do Rio e da construção do Cristo Redentor. A escritora incluiu até um personagem inspirado em Heitor da Silva Costa. Para tanto, utilizou trechos extraídos de diários do engenheiro, com autorização da família.

“Durante minha pesquisa descobri detalhes surpreendentes sobre o monumento. Por exemplo: ao contrário do que muitos brasileiros pensam, não foram os franceses que doaram a estátua. Na verdade, eles desempenharam um papel menor, principalmente fornecendo os moldes para as mãos e a cabeça”, revela Riley, desfazendo outro mito: “As mãos de Margarida Lopes de Almeida, famosa atriz brasileira, não serviram como moldes para as mãos da estátua, como muitos pensavam. Antes de morrer, Margarida admitiu que não era ela, criando um mistério em torno de quem teria fornecido os verdadeiros moldes e trazendo para mim uma ideia maravilhosa para o livro”, conta a autora, dando pistas sobre a trama.

Outra descoberta acerca do maior cartão-postal carioca é que todo ele é feito de mosaicos triangulares de pedra sabão e que estas pedras eram coladas por mulheres da sociedade do Rio, na década de 20, no Outeiro da Glória, em uma grande rede, para, depois, serem colocadas na estátua, no topo do Corcovado. O mais interessante é que, para aderirem à rede, essas pedras precisavam sofrer pequenas ranhuras. Em vez de simplesmente riscar as pedras, as mulheres escreviam os nomes de seus parentes, maridos e namorados, para que ficassem eternamente abençoados por Jesus Cristo.

A série ‘As Sete Irmãs’ terá sete livros. O próximo tem previsão de lançamento no ano que vem e contará a história de Ally, cuja trama é baseada na Noruega e em Leipzig (Alemanha), em 1880. “São narrativas completamente distintas. Sobre o primeiro livro, eu diria que se trata de uma história de amor, mistério e drama”, define.

Últimas de Diversão