'O melhor de tudo é poder estar em atividade aos 80 anos', diz João Donato

Músico comemora nova idade com show no Circo Voador

Por O Dia

Rio - ‘Com todas essas homenagens, te falo que o melhor de tudo é poder estar em atividade aos 80 anos. Não é fácil mesmo e é um privilégio”, conta João Donato, que atingiu a cifra redonda no último domingo. E estende a comemoração para mais eventos, sempre cercado de amigos. O primeiro deles acontece hoje no palco do Circo Voador, com o show ‘João Donato 80 Anos — Convida’, que leva para o palco Caetano Veloso, BNegão, seu filho Donatinho, Luiz Melodia, Paula Morelenbaum, Leny Andrade e outros convidados.

João Donato comemora 80 anos com show no Circo Voador e no Festival de Montreux%2C na Suíça%2C novos CDs e DVD%2C biografia e documentárioDivulgação


“A maior surpresa vai ser a presença de um índio do Acre (terra natal de Donato), da tribo Yawanawá, o Shaneihu”, diz, revelando um novo parceiro. “Toquei uma vez no Circo e é um espaço bem popular. Não daria para não fazer um show lá”, afirma o músico, que aproveita a apresentação sob a lona para lançar o par de CDs ‘Live Jazz In Rio’, saindo pelo selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Froes. Ambos, como diz o nome, registrados ao vivo. E trazendo o show do cantor na íntegra, sem cortes, de acordo com uma preferência do próprio Marcelo. “Disse a ele que queria todo o show, e não selecionar performances. Para não fazer um CD duplo comum, idealizei essa coisa de um CD para venda em loja e um exclusivo para os shows, já que ele atende todos os fãs e autografa tudo”, conta Marcelo.

O aniversário vem sendo festejado também em outros países, com passagens por Finlândia, França, Rússia e Portugal. “É engraçado pensar que aquela música que começou no Acre virou música do mundo, né?”, comenta Donato. A próxima parada do compositor, para a qual também vai arrastar sua turma, é o show no projeto ‘Brasil Bossa e Samba’, em Montreux, Suíça. No dia 27 de setembro, na Sala Stravinski, Donato comemora a data ao lado de Gilberto Gil, Alcione, Jaques Morelenbaum e Armandinho Macêdo (A Cor do Som).

Donato afirma ainda estar planejando a apresentação. Nem o amigo Gilberto Gil, com quem fez diversas parcerias, sabe muita coisa. “Depende dele. Mas te falo que tudo com o João é muito espontâneo e muito imediato, sem mentalização em excesso. Convivo com ele há muitos anos, fizemos muitas músicas e ele é um cara que se coloca no mundo de maneira bastante suave, sem grandes tensões. É uma atenção plena que pode parecer desatenção para muita gente”, brinca o baiano.

Criado pela produtora baiana Jô Queiroz Gerber, que é radicada na Suíça, o projeto dura de 26 a 28 de setembro, com apresentações na Praça do Mercado. Entre as demais atrações, estão o sambista e colunista de O DIA Moacyr Luz (“Muita gente nem lembra disso, mas sou parceiro do Donato também!”, brinca), os cantores e compositores Targino Gondim e Octavio Liochi (este radicado na Suíça) e a cantora mineira Katerina Polemi. “O evento é tão eclético que, no ano passado, eu toquei percussão para o Armandinho e ele tocou violoncelo. Depois eu toquei piano, também”, brinca o maestro e violoncelista Morelenbaum.

O ano ainda está cheio de novidades para o fãs de João Donato. A cineasta Tetê Moraes produz um documentário sobre o artista para o Canal Brasil. O jornalista Antonio Carlos Miguel escreve sua biografia e Donato ainda lança um DVD com a ‘Suíte Sinfônica Popular’, escrita sob a inspiração de compositores clássicos como Ravel e Debussy. Uma exposição interativa sobre sua obra também passa em breve por Brasília, Rio Branco, Rio de Janeiro e São Paulo.

AMIZADE E ENERGIA

Filho de líderes da tribo Yawanawa, localizada no Acre, Shaneihu Yawanawa deixou sua aldeia aos 11 anos para estudar na cidade grande. “Por causa de uma parceria com empresas, alguns jovens foram escolhidos para viajar e eu estava entre eles. Aprendi português, matemática e me formei em Administração de Empresas. E estudei música”, conta ele, hoje com 30 anos. Shaneihu, que já tem dois CDs lançados, “adaptando a musicalidade indígena para a linguagem do violão”, sobe ao palco do Circo Voador hoje para dividir o microfone com João Donato. Acompanhado pelo anfitrião, o músico vai mostrar o canto ‘Kanarô’.

“O João Donato foi visitar minha aldeia e conheceu meu trabalho. É uma honra poder estar ao lado dele nesse show de 80 anos e acho que é a primeira vez que alguém do povo indígena divide o palco com ele. Vai ser um grande encontro de amizade e energia”, diz Shaneihu. A administração toma ainda bastante seu tempo e ele se diz “artista nas horas vagas.” “Fiquei longe da tribo por muito tempo, longe dos meus pais. A música foi um grande presente e me ajudou a afastar a solidão.”

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