Capital Inicial lança CD novo e Dinho Ouro Preto fala sobre 'Superstar'

Cantor conta como foi avaliar pagode e forró no reality show musical

Por O Dia

Capital%2C no sentido horário%3A Yves (E)%2CFlávio%2C Dinho e Fê. ‘Viva a Revolução’ traz rappers do Cone Crew Diretoria e coloca Liminha no comando da produçãoDivulgação

Rio - Após largar drogas ilícitas, álcool e tabaco (as primeiras abandonadas há muitos anos, os dois últimos há pouco), Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, está mais para viciado em trabalho: shows por todo o Brasil, praticamente um disco por ano, programas de TV (como o recente ‘Superstar’, do qual foi jurado). “Só de 2010 para cá, foram três, quatro discos. Poucas bandas fazem isso hoje”, diz, lançando com o Capital o EP de sete faixas ‘Viva a Revolução’.

A bancada do ‘Superstar’, que dividiu com Fábio Jr e Ivete Sangalo, foi uma experiência nova para o cantor — que, fã de rock desde moleque, se viu tendo que avaliar grupos de forró e pagode. “E não era nem para dar nota, que seria mais confortável. Era para falar ‘sim’ ou ‘não’”, recorda.

“Sempre fui procurado por outras bandas para dar conselhos. Minha casa é cheia de demos. No começo, eu estava dando ‘sim’ para todas as bandas de rock e ‘não’ para as outras”, diz, rindo. “Depois tentava achar valores que via como importantes para o rock e os projetava em outros estilos: criatividade, verdade. No fim, as bandas finalistas foram realmente as melhores.”

O Malta, campeão do programa, foi bastante criticado — muitos acharam a banda comercial demais, ou simplesmente ruim. Dinho, você realmente gostou do Malta? “Cara, o grupo é meio monotemático, sim. Eles me lembram o Nickelback. Acho que ter uma banda mais comercial é importante até para as mais radicais. E se o cara faz rock, é meu aliado!”, brinca. “O fato de eles terem tocado músicas autorais quase o tempo todo deve servir de lição para a próxima edição do programa, inclusive. Eles tocaram o CD deles quase inteiro no ‘Superstar’. Só no final rolou cover!”

Hora de falar do disco novo, ‘Viva a Revolução’ — que, Dinho explica, nem é o mais político da banda. “O ‘Saturno’ (disco anterior) era mais. Todos os nossos discos falam de política, até em canções de amor. É uma coisa da minha geração. Passamos pela redemocratização, fim da censura. Não dá para ficar imune a isso”, afirma. Ele chegou a ir à manifestação de julho do ano passado, na Avenida Paulista. “Estava voltando da gravação do DVD do CPM 22 (‘Acústico’) e vi um mar de carros e de gente. Consegui atravessar a multidão a caminho do Itaim (bairro paulistano) e peguei minhas filhas em casa para irmos lá. Queria que elas participassem daquilo.”

‘Viva a Revolução’ revoluciona a equipe da banda. O grupo compôs a faixa-título com os rappers do Cone Crew Diretoria. Thiago Castanho, ex-guitarrista do Charlie Brown Jr, compôs ‘Coração Vazio’ e ‘Melhor Do Que Ontem’ com Dinho e Alvin L. E o cantor, mais Yves Passarell (guitarra), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria), trabalha pela primeira vez com Liminha na produção.

“Pô, o cara foi baixista dos Mutantes, né?”, conta Dinho, lembrando que rolaram desencontros no processo. “Ele é meio como a gente. Marca hora para gravar e só aparece no dia seguinte. Depois tudo sai, mas nunca com os horários combinados. Acabamos levando até mais tempo que o esperado. Encontrei o Sérgio Britto (Titãs) outro dia, contei isso para ele e ele respondeu: ‘Ah, por isso é que deixamos de trabalhar com ele um tempo’”, revela, antes de elogiar. “O Liminha é de meter a mão na massa. Não teve nada nesse disco que ficasse do mesmo jeito após passar por ele.”

Para quem espera discos e fases mais brandas do Capital, Dinho, 50 anos, avisa que vai fazer rock a vida toda. “No Brasil, as pessoas esperam que rock seja uma coisa circunscrita à juventude. E eu nem sou tão mais velho que o David Grohl (Foo Fighters), por exemplo”, diz.

SEM VOTO NULO

Dinho se preparava para sair de um jejum de duas eleições nas quais votou nulo. Até que um acidente aéreo no último dia 13 interrompeu — pelo menos temporariamente — seus planos. “Eu ia votar no Eduardo Campos e até fazer a campanha dele. Fui na sua casa quando o Capital tocou no Recife e passei quase três horas lá, conversando com Eduardo e sua família. Foi um papo reto, sem cerimônias. Conheci o Lula e o Fernando Henrique Cardoso, e geralmente essas pessoas mantêm uma certa distância, mas com ele não foi assim”, recorda o cantor, que soube da tragédia enquanto fazia esteira na academia.

Dinho apoiou o PT publicamente. Hoje, diz não saber em quem votar. “Sou agnóstico, a favor dos direitos dos homossexuais e da liberação da maconha. Aguardo o que a Marina Silva (candidata do PSB, escolhida para o lugar de Eduardo) vai falar sobre isso”.

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