Campeonato de b-boys, em Belém, vai reunir os melhores da América Latina

Conheça os brasileiros Gustavo, Igor e Luan que tiveram as vidas mudadas pela dança de rua

Por O Dia

Rio - Gustavo Henrique Cabral, hoje com 22 anos, não se lembra quando e por que começaram a chamá-lo de Ratin. Foi em Sertãozinho, no interior de São Paulo, onde ele nasceu. Filho de família humilde, quando criança Gustavo vivia para desafiar o mundo. Parou de estudar no sexto ano do ensino fundamental e começou a se envolver com más companhias. Chegou a cometer delitos ainda na adolescência. Mas tudo mudou quando ele conheceu o break, ou b-boying, como é chamado hoje. 

O campeão brasileiro Gustavo Cabral%2C conhecido como Ratin. Abaixo%2C Igor Guerreiro%2C o IguinDivulgação


Gustavo se tornou campeão da edição brasileira do Red Bull BC One, a maior competição b-boying homem a homem do mundo e se prepara para disputar a final latino-americana do Red Bull BC One, que acontece no próximo dia 30, em Belém, no Pará, e vai reunir os 16 melhores B-boys da América Latina.

“Sempre gostei de dançar. Com 11 anos entrei para um projeto social que havia na minha cidade, que tinha dança. O projeto acabou e, então, eu e uns amigos começamos a dançar na calçada em frente à minha casa. Quando eu tinha 13 anos, um b-boy chamado William me viu dançando e me chamou pra treinar com ele. Foi aí que tudo começou”, relembra Gustavo.

“O break é, com certeza, um instrumento de transformação social, porque é um estilo da rua. É na rua que as coisas acontecem, é onde estão as pessoas que precisam de mudança. Eu sou o exemplo disso. Eu era bagunceiro, me envolvi com o crime, e o break me tirou dessa vida. E tenho muitos outros amigos, que se envolveram com álcool e drogas, que também mudaram seus destinos por causa da dança”, declara Gustavo, que hoje vive do b-boying.

“Participo de competições, dançando ou como jurado, ministro workshops e também dou aula para jovens em um projeto da prefeitura da minha cidade. Até já viajei para a Europa duas vezes. Consigo viver com a minha dança. Não vou parar. Vou continuar dançando até não aguentar mais. E meu sonho hoje é transformar as pessoas através do break. Por isso, dou aulas. Quero acrescentar algo para a cultura hip hop”, afirma.

Outro que viu sua vida seguir novo rumo por causa do universo b-boying é Igor Guerreiro de Abreu, o Iguin, de 19 anos. Assim como Gustavo, Igor vem de uma família humilde, que sempre batalhou para sobreviver em Anápolis, no interior de Goiás. “A dança me ajudou muito. Eu poderia ter seguido pelo caminho do crime, das drogas, mas o break não deixou”, conta o b-boy, atual terceiro colocado da edição nacional do Red Bull BC One. “Eu fazia capoeira quando era criança e alguns amigos meus dançavam. Eu os vi treinando e me interessei. Comecei a dançar e nunca mais parei. Não quero parar”, diz Igor, que, hoje, também vive do b-boying. “Pra mim, o break é um estilo de vida. Eu vivo o break e trabalho com isso. Dou aulas, participo de competições, sou jurado de campeonatos. É o que eu gosto de fazer”, conta o dançarino, que também está se preparando para a final latina do Red Bull BC One.

Luan Carlos dos Santos, de 23 anos, segundo melhor b-boy do país, também sabe do poder de transformação do break. Nascido em Barueri, no interior de São Paulo, ele não chegou a se envolver com o crime, mas viu muitos amigos se perderem. “Como é de rua, a dança envolve as pessoas que estão na rua e, na maioria das vezes, expostas a situações de perigo. O break livra todo mundo; dá oportunidade para uma outra vida”, garante o jovem, que perdeu a mãe em junho deste ano e está recarregando suas forças graças, também, ao universo b-boying.

“Ainda não superei esta perda, mas a dança, meus amigos e minha namorada estão me ajudando”, confessa o dançarino, que hoje mora em São Paulo e também segue firme nos treinos para a final latina do evento da Red Bull em Belém. “Estou confiante e treinando bastante. Vou chegar lá preparado. Acho que o maior desafio vai ser o calor”, aposta Luan, que também não pensa em parar de dançar tão cedo. “Meu sonho é continuar vivendo (o break) e fazendo o que eu gosto até não poder mais. A dança me proporcionou muitas coisas, conhecer pessoas, batalhar com elas. Sou feliz assim”, assume.

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