Luis Pimentel: Para ler na escola, em casa, no bar, no ônibus...

Os textos literários do mestre Nei Lopes, painéis de histórias ou de causos, são para ler e reler

Por O Dia

Rio - De Haroldo Barbosa a Marceu Vieira ou Mauro Aguiar, passando por Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e outros, a música brasileira é pródiga em cronistas das dores, dos amores, do dia a dia e, especialmente, de temas cariocas. Alguns, além de cronicar a vida em belíssimas letras de canções, também passeiam em páginas de jornais, revistas e livros. Na ponta de lança do time está Nei Lopes, cantor e compositor, pesquisador e escritor com sinal aberto pelo conto, a crônica, o romance, ensaios e enciclopédias.

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Sou fã do Nei desde sempre. Para tamborilar em seus versos, desde os tempos em que o Dondon jogava no Andaraí. Sei inúmeras letras e músicas suas de cor e salteado, boto banca com elas em rodas de samba e digo por aí que somos amigos. A poesia que transborda em ‘Goiabada Cascão’, ‘Senhora Liberdade’ ou ‘Samba do Irajá’ (onde estão versos que me acompanham e me comovem, como estes: “Saudade veio à sombra da mangueira/Sentou na espreguiçadeira e pegou no violão/Cantou a moda do caranguejo, estendeu a mão prum beijo e me deu opinião”) foi definitiva para mim. ‘Baile no Elite’ é uma das crônicas mais completas do real e do imaginário cariocas que já ouvi.

Agora, a prosa urbana do Nei para ser lida está reunida em um volume impecável e imperdível, chamado ‘Contos e Crônicas Para Ler na Escola’ (Editora Objetiva), mas também em casa, no bar, no ônibus, onde quer que você esteja à vontade para rir com prazer. Rir dos personagens, da linguagem, das situações, do humor rápido, safo e inteligentíssimo. E a moçada do Nei? Nelsinho Leiser, Tupãzinho, Adilson e Lurdinha, Pretinho da Serrinha, Wilson Moreira (parceirão de fé), Casemiro, Chica­que­Manda... Todos merecedores do meu voto.

Entre os reais e os imaginários, estão tipos com os quais a gente cruza, encontra, esbarra ou ergue um brinde nos salões ou ruas do Rio, especialmente do subúrbio e da Zona Norte. O alto-astral do livro começa nos títulos dos contos e das crônicas. Coisas como ‘Rebouças, Efó e Espinguela’, ‘Tanto Treze Quanto Vinte’ e ‘Aníbal, o Negro do Tzar’ já dizem ao distinto leitor o que o espera. Textos que a gente saboreia com prazer e satisfação, antena ligada ou risinho de canto de boca, redescobrindo a cidade e seus melhores ou piores frequentadores com quem os conhece, entende, admira e aprecia.

Os textos literários do mestre Nei Lopes, painéis de histórias ou de causos, são para ler e reler. Depois folhear os jornais para ver se ele está cantando suas crônicas melódicas nalgum show por aí. E correr atrás.

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