Por daniela.lima

Rio - Desde 1978, Woody Allen realiza pelo menos um filme por ano. Há ainda registros de curtas e filmes para a TV. Não há caso de cineasta no mundo com tamanha disciplina, determinação e, claro, uma incrível média de qualidade artística. Mesmo diante do turbulento litígio matrimonial com Mia Farrow, Allen manteve-se firme na direção dos filmes, nas ‘jam sessions’ de segunda à noite em Manhattan, quando toca sua clarineta, e nas regulares sessões de terapia, pois ninguém é de ferro.

Stanley (Colin Firth) e Sophie (Emma Stone) em ‘Magia ao Luar’Reprodução


‘Magia ao Luar’, seu mais recente filme, em cartaz no Rio, mostra que, às vésperas dos 80 anos, Woody Allen mantém o vigor e a inteligência usuais. Assim como no anterior, ‘Blue Jasmine’, a inspiração de Allen aqui é o teatro. Se o filme estrelado por Cate Blanchett, vencedora do Oscar, ecoava a derrocada da Blanche DuBois de ‘Um Bonde Chamado Desejo’, de Tennessee Williams, no atual filme é a história de ‘Pigmalião’, de Bernard Shaw, que ganha variações sob a paleta de Woody Allen, com a trama da pupila que supera o mestre.

Stanley (Colin Firth) é um mágico de fama internacional que, além dos truques ilusionistas, especializou-se em desmascarar pilantras que se passam por paranormais. Convidado por um amigo de escola, ele vai à Côte D’Azur conhecer Sophie (Emma Stone), uma jovem que seduz a alta roda com previsões e contato com os espíritos. Diante da performance da jovem, o ceticismo do inglês estremece e aos poucos os supostos dotes de Sophie vão corroendo suas convicções materialistas.

‘Magia ao Luar’ está em sintonia com a obra de Allen, que nunca escondeu seu fascínio pela mágica e pelo encantamento, seja em suas histórias fantásticas, como ‘A Rosa Púrpura do Cairo’ e ‘Meia-Noite em Paris’, seja em suas comédias românticas, como ‘Noivo Neurótica, Noiva Nervosa’, ‘Manhattan’ e ‘Hannah e suas Irmãs’. Aqui, no entanto, o diretor flagra uma queda de braço entre o romance e a razão. E é o romantismo que irá colocar o dedo no nariz do racional com sua dinâmica própria e sem muita explicação. Como aquele vodu citado na canção de Cole Porter ‘You do Something to Me’, que embala ‘Magia ao Luar’. Para alguns soou ingênuo, mas como não admitir que a ingenuidade está no centro dessa coisa chamada amor?

AÇÃO!
* Caru Alves de Souza, cineasta paulista, a exemplo de Woody Allen, tão logo estreou no longa, com ‘De Menor’, em cartaz no Rio de Janeiro, já escreve o roteiro de seu segundo filme. O tema também é relacionado à juventude. Depois de mergulhar no dia a dia de uma advogada que lida com menores infratores no Fórum de Santos, Caru vai retratar o cotidiano de jovens skatistas da periferia de São Paulo. A obra é uma adaptação do romance infantojuvenil ‘Bagdá, o Skatista’, de Toni Brandão.

Você pode gostar