Por karilayn.areias

Rio - Gérard Depardieu, mais do que um ícone do cinema francês, é um mito nas terras de Asterix. Caiu em desgraça ao deixar seu país, que taxa grandes fortunas, para pagar menos imposto de renda. Os mitos também têm pecados. Falha moral, ética, poder e iniquidade são os elementos que o sempre perturbador diretor americano Abel Ferrara (‘Olhos de Serpente’ e ‘Vício Frenético’) explora em sua filmografia e também neste ‘Bem-vindo a Nova York’, um misto de drama de tribunal, suspense e ensaio sobre os limites morais, com pitadas generosas de sexo.

Em 'Bem-vindo a Nova York', Gérard Depardieu encarna um personagem misógino e viciado em sexoDivulgação

Ferrara inspira-se no escândalo protagonizado, em 2011, pelo então diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn, que estuprou uma camareira negra em Nova York. Depardieu, extraordinário, é Deveraux, alter ego de Strauss-Kahn, um cinquentão viciado em sexo e drogas, misógino e casado com uma mulher (Jacqueline Bisset) que tolera seus crimes e vícios, desde que não interrompa sua escalada à presidência da França.

Devereaux, até então intocável, foi indiciado, mas nunca admitiu culpa e a ação milionária foi arquivada. Ferrara desnuda física, moral e psicologicamente seu anti-herói. Um obeso Depardieu se entrega generosamente ao seu papel, como poucos atores o fariam. Afinal, mitos não são mitos à toa.

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