Por daniela.lima

Rio - A protagonista Helena (Rita Batata) √© ‚Äúde maior‚ÄĚ. No entanto, seu sentimento de orfandade n√£o √© inferior ao do irm√£o Caio (Giovanni Gallo), este sim, ‚Äúde menor‚ÄĚ. Ambos padecem do sofrimento recente da perda dos pais e, embora transitem em mundos opostos, dividem um sentimento fraterno de intensa solidariedade, captado nos instantes de intimidade do lar e de conv√≠vio afetuoso sob o sol das praias do litoral paulista. 

Caio (Giovanni Gallo) no momento em que é detidoDivulgação


Helena √© uma defensora p√ļblica de jovens infratores que vive a pedregosa rotina de audi√™ncias em que a desigualdade do Brasil jovem exp√Ķe suas v√≠sceras. S√£o casos de furtos, agress√Ķes, gravidezes precoces e muito desamparo familiar. Acostumada a ver seus recursos negados, Helena conhece de perto a rotina das col√īnias penais e a prec√°ria possibilidade de ressocializa√ß√£o oferecida por essas institui√ß√Ķes. Seu estado √© de impot√™ncia.

Até se deparar com a delinquência juvenil do próprio irmão. O conflito, de contornos trágicos, irá acirrar as crises de consciência da jovem advogada. O temor de ver Caio recolhido fragiliza seus argumentos éticos que chegam a admitir prerrogativas classistas e raciais na desesperada defesa, todas refutadas pelo consciente juiz interpretado por Caco Ciocler.

‚ÄėDe Menor‚Äô √© um filme que ocorre no vazio das a√ß√Ķes. A dramaturgia evita cenas de viol√™ncia, maus-tratos nas col√īnias penais e at√© mesmo o desfecho dos julgamentos. O filme transita pela claustrofobia do apartamento dos irm√£os, o austero ambiente dos tribunais, os in√≥spitos joelhos de porco da periferia e os sufocantes centros de recupera√ß√£o de adolescentes. A praia √© o respiro.

A cineasta estreante Caru Alves de Souza exp√Ķe not√°vel maturidade art√≠stica, sem receio de assumir o DNA da m√£e, a tamb√©m cineasta, e produtora executiva do longa, Tata Amaral. ‚ÄėDe Menor‚Äô n√£o esconde as refer√™ncias claustrof√≥bicas e minimalistas a ‚ÄėUm C√©u de Estrelas‚Äô e ‚ÄėAtrav√©s da Janela‚Äô, ambos dirigidos por Tata. Dialoga ainda com outras fontes, como o realismo social dos irm√£os Dardenne de ‚ÄėO Garoto da Bicicleta‚Äô e ‚ÄėDois Dias, Uma Noite‚Äô, este in√©dito no Brasil. Sem o proselitismo das ideias prontas, ‚ÄėDe Menor‚Äô prop√Ķe uma reflex√£o desapaixonada do desamparo da juventude brasileira sem distin√ß√£o de classe. Humanista, mas sem triunfalismo.

AÇÃO!
* Dia 15, segunda, √†s 21h, estreia no Canal Brasil, ‚ÄėM√ļsica Serve Para Isso ‚ÄĒ Uma Hist√≥ria dos Mulheres Negras‚Äô, de Bel Bechara e Sandro Serpa, que registra a trajet√≥ria da banda dos anos 80 Os Mulheres Negras, formada por Maur√≠cio Pereira e Andr√© Abujamra.
Os depoimentos enfatizam a m√ļltipla influ√™ncia de estilos, que a dupla intitulava ‚Äútechno-pobre‚ÄĚ. Para quem conheceu, bate nostalgia; para quem nunca ouviu, √© obrigat√≥rio. O filme reprisa domingo, dia 21, √†s 22h, tamb√©m no Canal Brasil.

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