Por daniela.lima

Rio - Petaluma é uma cidade localizada na Califórnia, Estados Unidos. É também o nome de um restaurante em Nova York no qual o escritor e jornalista carioca Tiago Velasco trabalhou quando viveu lá - mas isso pode nem ter a ver com o conto principal de seu terceiro livro, 'Petaluma' (Ed. Oito E Meio, R$ 35, 108 págs), que ganha lançamento nesta quarta no próprio espaço da editora, no Flamengo, às 19h. E que é protagonizado por um cara com o mesmo nome dele e que passa a falar uma mistura de várias línguas por causa do encontro de pessoas de várias nacionalidades num restaurante. 

Tiago Velasco lança a obra no Flamengo%2C às 19hGuilherme Lima


"Esse conto é algo que pode ser chamado de autoficção. É uma escrita com traços biográficos, mas a defesa que eu faço é que é ficção", brinca. "Não é uma história que você consegue entender de forma muito clara. Você entende a partir de fragmentos, ou pega o efeito da escolha das palavras. Nesse conto, optei por usar meu próprio nome, mas acho que nem vale a pena eu tentar entender o que sou eu e o que é ficção ali".

Boa parte de 'Petaluma' fala sobre um tema diário, em conversas e em devaneios para quem tem entre 30 e 40 anos: a busca de um lugar no mundo, a procura pela identidade. "Parece que é sempre uma busca, né? As pessoas estão sempre buscando alguma coisa. É um lance do mundo contemporâneo, de você não precisar ter a mesma carreira a vida inteira, um casamento, morar no mesmo lugar. As pessoas de 20, 30 e 40 estão nesse furacão. É como se todo mundo fosse estrangeiro o tempo todo nas cidades grandes", conta. Contos como 'Em Pedaços', sobre um cara que acorda num hospital e não sabe há quanto tempo está ali, e 'Ernesto/Andrezza', sobre um transexual, falam disso. Ou 'A Morta de São José', sobre uma cidade em que as pessoas são reconhecidas pela profissão.

Além dos livros que já lançou (um outro de contos, 'Prazer da Carne' e as reflexões de 'Novas Dimensões da Cultura Pop'), Tiago tem outro projeto. "Quero lançar um livro de microcontos, ou nanocontos. De uma a cinco linhas. Para editar, preciso ter uns 70 bons. No 'Petaluma' estou fazendo uns contos meio longos e isso me coloca mais próximo até de fazer um romance, que é um próximo passo. O 'Novas Dimensões' foi bem legal de fazer porque tem muito pouco livro sobre cultura pop no Brasil. Foi consequência de uma dissertação de mestrado e tá crescendo a utilização dele. Muita gente me procura para comprar o livro", conta Tiago, que é professor universitário de jornalismo.

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