Por daniela.lima
Luis Pimentel%3A No Bip Bip%2C onde se resolve tudoDivulgação

Rio - Copacabana — como se sabe e reproduziram os cronistas desde os tempos de Rubem Braga — tem muitas histórias. As melhores, como é tradição em qualquer bairro, aconteceram nos bares. As melhores entre as melhores, no balcão, nas mesas ou na calçada do Bip Bip.

Ouvi muitas, vi algumas, umas tantas o bom-senso me recomendou esquecer. Essa eu fiz questão de guardar pros netos, mas vou repartir com os amigos.

A roda de samba domingueira corria no melhor dos mundos, com os violões do Chico Genu, do Gomide, do Fernando Falcão e do Flávio Feitosa; cavaquinhos do Paulinho, do Ari Miranda e do Alex; percussão sob a batuta e o batuque do Jenner, do Bené, do Jovem, do Marcelinho, do Ismael, do Tibau, da Aretha e da Manu. Luxo só.

Alfredinho acabara de receber o telefonema de um cliente pedindo para “reservar uma mesa” (Mesa?! Sabe de nada, inocente...) e de passar descompostura num cliente embriagado (Bar não é lugar para se chegar bêbado, é para sair!). Paulinho do Cavaco repetia o verso “no alto São Jorge matando um dragão”, do seu samba­hit ‘Saudades dos Meus Botequins’, quando a deusa invadiu o recinto. Blusinha decotada, saiotinha modelo abajur­de­periquita, um sorriso­implante de mudar qualquer repertório. Alguém se lembrou do Geraldo Pereira (ô, ô, ô, que samba bom!) e puxaram ‘Chegou a Bonitona’: “Olha só, ô pessoal, que bonitona/Olha o pedaço que acabou de chegar...”.

A homenageada rodopiou o balaio entre as cadeiras e todos fizeram Ooooooohhh! Todos. Até Aretha e Manu.

A moça se informou sobre as regras da casa — o freguês se serve à vontade, Alfredinho anota o nome num pedaço de papel de pão e depois, se ainda não estiver de porre, cobra a conta — e soltou a voz na cantoria. Rebolava mais que ministro na hora de explicar o inexplicável ou de candidato tentando justificar de onde vai arrumar dinheiro para cumprir as promessas de campanha.

Bebia feito gente grande, a danadinha, acumulando latas de cerveja e copinhos de cachaça Salinas, como se não houvesse o amanhã. Final dos trabalhos, após perguntar quanto devia, ela falou baixinho no ouvido do dono do bar, molhando os lábios com a língua e acomodando um peito, distraída, em seu ombro:
— Desculpa, ném, mas é que estou desprevenida.

— Sem problemas — disse ele, dando um golaço no vinho sagrado.
— Aqui nós resolvemos tudo e vamos dar um jeitinho nesse seu problema.
E chamando duas auxiliares voluntárias:
— Kátia e Simone, minhas filhas, peguem a caixa de calcinhas lá em cima. Escolham uma tamanho GG aqui para a nossa amiga.

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