Por tabata.uchoa

Rio - Nascido no subúrbio de Madureira, o compositor e violonista Guinga carrega sua alma carioca aonde quer que vá. Na Alemanha, país em que gravou o álbum ‘Roendopinho’, a carioquice que norteia o cancioneiro universal do artista pulsa na abordagem de temas autorais como o choro ‘Picotado’ (1996) e ‘Igreja da Penha’ (2006).

Carioca de Madureira%2C o violonista Guinga lança ‘Roendopinho’%2C CD instrumental gravado na AlemanhaManfred Pollert / Divulgação

Guinga é um gênio da composição. ‘Roendopinho’ reafirma a soberania de seu repertório em gravações feitas pelo artista somente com seu violão. O título do álbum, aliás, é formado pela justaposição das palavras roendo (gerúndio do verbo roer) e pinho (tipo de madeira usado na construção do violão). O toque solitário do violão em ‘Roendopinho’ faz com que o CD, gravado em abril em estúdio da cidade alemã de Osnabrück, remeta à ‘Casa de Villa’ (2007), álbum em que Guinga também priorizou o violão (só que não de forma absoluta como neste atual disco, considerado pelo artista, por isso mesmo, seu primeiro trabalho solo).

A sós com seu violão, Guinga rebobina temas como ‘Cheio de dedos’ (1996) e ‘Anjo de candura’ (2010), evidenciando os caminhos sinuosos de sua música de arquitetura complexa. O cancioneiro carioca de Guinga se alimenta de influências da música clássica, da obra do maestro carioca Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959), do choro e das valsas do Rio antigo. Todas essas nobres referências estão aglutinadas nos 15 temas reunidos em ‘Roendopinho’, álbum (por enquanto) disponível para brasileiros somente nas seções de discos das lojas virtuais estrangeiras.

O violão é senhor absoluto no disco essencialmente instrumentais. Mas os vocais de Guinga são eventualmente ouvidos em faixas como ‘Pucciniana’ — inspirada pela obra do compositor italiano Giácomo Puccini (1858-1924) — e ‘Lendas brasileiras’ (parceria com Aldir Blanc, lançada em disco em 1991). São ‘vocalises’ que evocam ancestralidade entranhada na obra magistral de Guinga.

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