Portuguesa Gisela João se apresenta hoje na cidade que é sua segunda casa

A face mais moderna do fado em show no Rio

Por O Dia

‘Não tenho que me vestir de preto%2C nem usar xale’%2C afirma fadistaDivulgação

Rio - Os amantes da música portuguesa estão em festa. E não é para menos. Um dos maiores nomes da nova geração do fado está entre nós. A cantora Gisela João se apresentou ontem na casa de shows Miranda e hoje faz show na Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria, no Palácio São Clemente, em Botafogo, às 19h30. No repertório, canções do CD de estreia da artista, que leva o seu nome e foi lançado no ano passado.

“Quero que todo mundo vá feliz ver o meu show, de peito aberto. A minha ideia é que as pessoas se sintam como se estivessem sentadas no sofá da minha casa, ouvindo boas histórias”, diz.

A ideia de Gisela é levar para o palco o que sente quando está no Rio. “Aqui é a minha segunda casa. Já estou triste só de pensar que vou embora sábado. Mas volto em outubro”, avisa. Em terras cariocas, a portuguesa, de 30 anos, gosta de tudo. “Adoro o trato das pessoas, a paçoca, o português falado pelos brasileiros, o verde. Aqui a natureza está em toda parte”, atesta.

A paixão da cantora pelo Rio não se restringe aos pontos turísticos. Ela costuma, por exemplo, fazer incursões pela Saara. “Ontem, comprei uns tecidos lá. Eu mesma faço as minhas roupas”, conta.
O estilo de Gisela é um capítulo à parte. O seu visual não lembra em nada as fadistas do passado. “Eu canto fado, mas não tenho que me vestir de preto, nem usar xale. Gosto de ter um visual bem feminino, sóbrio e chique.

Mas não quis fugir dessa imagem estereotipada, apenas procuro ser eu”, afirma ela.
Amante do fado desde os 7 anos, Gisela não se cansava de cantar os sucessos de Amália Rodrigues nos tempos de escola. “Mas os coleguinhas não achavam graça nenhuma”, brinca. Nessa época, ela não imaginava virar cantora, nem se especializar na música mais representativa do seu país. Foi em 2010 que tudo mudou. “Há quatro anos, saí da minha cidade, Barcelos, e fui para Lisboa viver de música. Cantava em uma casa de fado, me profissionalizei”, recorda.

Com o primeiro CD, caiu nas graças do público e da crítica especializada, que lhe concedeu vários prêmios no ano passado. A gratidão pelo sucesso alcançado em sua terra é o que lhe prende lá. “Morar no Brasil é um sonho, mas não posso fugir para o outro lado do mundo agora. Preciso estar em Portugal e dar continuidade ao trabalho”, comenta. E quem acha que o estilo musical que a consagrou só agrada aos mais velhos, está enganado. “O fado está na moda em Portugal. Os jovens lotam os shows de fado e isso me deixa muito feliz”, comemora.

Fadista consagrada, Gisela também passeia por outros ritmos. “Amo música eletrônica, jazz, blues e, claro, música brasileira. Sou fã de Noel Rosa, Cartola, Maysa, Gonzaguinha, Jorge Ben Jor. Gosto de música, desde que ela seja boa. O meu primeiro CD é exclusivamente de fado, mas não descarto a possibilidade de, com o tempo, fazer novas experiências.”

Últimas de Diversão