Por tabata.uchoa
Mais do que sermos amados%2C queremos ser desejados. E se desejo é combustível de vida%2C os ritos de sedução são combustível para o desejoAgência O Dia

Rio - O amor move montanhas e a paixão move mundos, eu sei. Quer dizer, imagino que saiba. Mas quero me mover para a etapa anterior. Quero divagar sobre o que move o sangue de maneira singular pelo corpo da gente, embevecendo os nossos sentidos e espalhando hormônios que, se bem produzidos, nos dão o oxigênio metafórico necessário. Não, não estou falando do coração. Falo do desejo e da sua grandeza avassaladora no desenho de nossas vidas.

Se há talento, há desejo. Se há ousadia, há desejo. Se há construção, há desejo. Se há atitude, há desejo também. Até se houver mero instinto, o desejo está primitivamente ali. Até na angústia, há um desejo imensurável de nos entendermos mortais. Quero destrinchar o desejo pelo encantamento.

Mais do que sermos amados, queremos ser desejados. E se desejo é combustível de vida, os ritos de sedução são combustível para o desejo. Se deixar seduzir é retroalimentar o desejo pela gente mesmo.
Há quem pense que numa relação a dois o maior desejo de ambos é o da realização amorosa ou sexual. Não digo que é um equívoco pensar assim. Mas posso assegurar que há mais petróleo nesse poço.

Todos querem um pouco de sedução. Por isso, há os que passam a vida trocando de par, em busca desse encantamento. Não falo de paixão — é menos que isso. Ou mais, sei lá. Falo de um jogo, um jogo que não está ganho, um jogo que envolve disputa, envolve usar as armas que temos e outras que criamos na hora.

Falo do desafio de conquistar e se deixar conquistar também. Esse game atiça o desejo pelo outro, mas sobretudo provoca um desejo maior por si próprio. No fundo é isso que se busca: uma injeção de desejo que dê água na boca e nos faça ter a sensação de quase levitar. O desafio do século é se manter numa relação de amor que valha a pena, mantendo a sedução mútua e, consequentemente, o interesse e o desejo de estarem juntos. Afinal, antes de se mover montanhas ou mundos, é vital mover com swing o sangue que corre em nossas veias.

Você pode gostar