Por paloma.savedra

Rio - Cusparadas em cima do palco, palavrões diante do público e um jeito agressivo de lidar com a fama. Cássia Eller (1962-2001) era considerada uma figura polêmica, mas tal característica está longe de resumi-la. No documentário ‘Cássia’, de Paulo Henrique Fontenelle, que será exibido amanhã e quarta-feira, no Festival do Rio, um outro lado da cantora vai fazer barulho nas telonas.

O diretor aposta em passagens comoventes da vida e imagens inéditas de Cássia Eller%2C de um tempo em que ela tocava em bares de Brasíliaarquivo pessoal

“Vou mostrar uma pessoa que pouca gente conhecia. Cássia era muito visceral no palco, fazia loucuras, mostrava o peito, tinha um jeito agressivo, cuspia, mas também era uma mulher muito reservada, que não se preocupava com o sucesso”, explica o diretor, que teve a ideia do filme em 2010, mas só começou a rodá-lo no ano passado.

“Peguei coisa da infância até a morte. Cássia continua uma revolucionária, mesmo depois de morta. Consegui imagens raras dela tocando em bares e teatros de Brasília”, acrescenta. Passagens comoventes da vida e imagens inéditas da cantora são as apostas de Paulo Henrique para ganhar o público. “Vão poder ver a relação dela com os amigos, com sua companheira Maria Eugênia e com a maternidade. Além de poder saber um pouco mais sobre todo o processo da guarda do Francisco, filho de Cássia, uma coisa pioneira no Brasil. Cada parte da vida dela é muito emocionante”, diz Fontenelle.

Cássia em viagem com Chicão no colo e a percussionista Lan Lanarquivo pessoal

Nem mesmo a timidez, que herdou da mãe, impediu que Chicão participasse do filme. “Ele aparece pouco, mas foi uma grande contribuição”, justifica o diretor. Achar pessoas que quisessem falar sobre Cássia não foi uma tarefa difícil, afinal, a cantora era querida no meio artístico. Em uma das declarações do longa, Maria Eugênia tenta explicar o que acontecia com a parceira, quando ela estava nos shows. “No palco, eu tinha a sensação que ela recebia um santo mesmo, era uma coisa doida aquilo ali! Ela se transformava, não era a mesma pessoa”, relata Maria Eugênia no filme.

Paulo Henrique conta também que o projeto saiu dos rabiscos quando ele percebeu que, no mercado, não havia quase nada sobre a vida de Cássia. “Mais de dez anos se passaram depois da morte dela e não saía nada sobre a vida e a carreira dela. Eu só vi um livro publicado. Muitas pessoas tinham uma visão errada sobre ela e isso foi o que mais me motivou. Acabei me identificando muito com o jeito dela”, comenta Paulo. Jeito esse que fez Cássia encontrar na música um refúgio. “A música foi uma fuga da minha incapacidade de viver socialmente com as pessoas”, declara Cássia Eller no documentário, que terá estreia nacional no dia 15 de janeiro.

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