Por daniela.lima

Rio - Na TV, Marisa Orth está sob a mira do serial killer Edu (Bruno Gagliasso), de ‘Dupla Identidade’. Já no cinema ela é a própria Deusa da Morte. Mas acredite: não se trata de um filme de terror, e sim da animação infantil ‘Festa no Céu’. “É bacana ver o lado positivo da morte. Aqui, não encaramos bem assim”, diz ela sobre a produção que estreia na próxima quinta-feira e tem a comemoração do Dia dos Mortos, tradição no México, como pano de fundo. 

Marisa Orth%2C que dubla a deusa La Muerte na animaçãoDivulgação


Por lá, no dia 2 de novembro ninguém chora por quem já se foi. Pelo contrário, o dia é de festa nos cemitérios, com direito a enfeites coloridos, música e até caveirinhas de açúcar. Aliás, mesmo encarnando a deusa La Muerte ou Catrina, como é mais conhecida a sua personagem, na prática o tema continua indigesto para Marisa. “Não lido bem com isso. Tenho medo da morte. E quem é que não tem? Perdi minha mãe há seis anos e foi uma barra. A gente fala pouco sobre esse assunto em casa. Acho que estamos cada vez mais negando o óbito”, assume a atriz.

Mas não pense que o baixo-astral tem vez na vida de Marisa. Bem-humorada, ela decidiu, literalmente, dar voz à La Muerte porque se encantou com a história do longa. Todo o enredo parte de uma aposta entre deuses. Xibalba, o Deus da Terra dos Esquecidos, pretende governar as terras de Catrina, onde moram as almas lembradas no dia 2 de novembro. Viciada em apostas, a deusa se rende e aceita o trato.

O acordo depende do futuro de três crianças. Se, quando crescer, Manolo (dublado por Thiago Lacerda) se casar com a cobiçada Maria, La Muerte ganha. Mas, se o futuro marido for Joaquim, Xibalba vence e eles trocam de reino. “Enquanto pudermos usar a arte para falar sobre coisas importantes como essa, acho ótimo! E, cá entre nós, eu amei ter a cintura fina da Catrina — mesmo que em uma animação!”, faz piada a atriz, sobre sua primeira experiência com dublagem.

E se usar a arte e o humor é a tática de Marisa para falar de temas tabus, na TV ela precisou dosar sua veia cômica. Conhecida por papéis divertidos, como a Magda de ‘Sai de Baixo’, agora ela dá vida à calculista Sylvia, em ‘Dupla Identidade’, de Glória Perez. Na série, ela é mulher do senador Oto (Aderbal Freire-Filho), de quem o serial killer Edu pretende se tornar o braço direito.

“A psicopatia é terrível e é verdadeira. O psicopata é como um personagem vivo. Porque são aquelas pessoas que você acha que não existem. São vilões reais. Tem muita gente que acaba os admirando, pois eles não têm sentimentos. Então, parecem menos frágeis que as outras pessoas. Mas isso é uma doença”, analisa Marisa, que, além de atriz, também é formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Está sendo uma oportunidade bacanérrima fazer um papel como esse, diferente da comédia. Estava acostumada a exercitar o drama só em outras mídias. Isso é mais uma frente de trabalho e adoro ser usada — nesse sentido, claro!”, brinca.

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