Por karilayn.areias

Rio - Sabe aquelas situações extremas, do tipo que colocam a sanidade mental de qualquer um à prova? ‘Relatos Selvagens’, de Damián Szifron (‘Tempo de Valentes’), é uma coletânea delas. Dividido em seis episódios, o longa argentino é o retrato de uma sociedade contemporânea e neurótica, que, ao ser retratada no cinema, pareceria triste, se não fosse cômica.

O ator Ricardo Darín é um dos protagonistas de ‘Relatos Selvagens’Divulgação

Dotado de um humor ácido e crítico, o longa tem episódios que não se cruzam, mas também não se perdem da proposta do filme. As histórias partem sempre de circunstâncias aparentemente comuns, mas que geram atitudes inesperadas dos personagens das tramas.

Um deles é o engenheiro Simon (Ricardo Darín), que se vê refém do burocrático e injusto sistema de trânsito na Argentina (que poderia perfeitamente ser o daqui). Até que decide fazer justiça a seu modo. Em outro momento, vemos também aquela banal briga de trânsito, que acaba indo além da estrada. Ou a noiva (Erica Rivas) que, no meio de sua festa de casamento, descobre que foi traída pelo marido.

A pegada do roteiro, assinado por Szifron, lembra ‘Um Dia de Fúria’, de Joel Schumacher, e a violência e o humor contidos na filmografia de Quentin Tarantino. O filme mantém o ritmo e a qualidade do início ao fim. Já a estética lembra os filmes de Almodóvar, que, não por acaso, é um dos produtores do longa. Aliás, os personagens enlouquecidos também lembram vários tipos do espanhol.

‘Relatos Selvagens’ é uma comédia inteligente que beira a tragédia. Garante boas gargalhadas e uma ótima experiência cinematográfica. Resumindo, é daqueles filmes difíceis de serem esquecidos.

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