Tempos ainda modernos de Nelson Motta

Aos 70 anos, o compositor tem obra regravada em CD que comprova a perenidade de seu cancioneiro

Por O Dia

Rio - Artista multimídia, Nelson Motta surgiu como compositor nos anos 1960, na era dos festivais. Mas Motta não limitou seu ofício de letrista a músicas compostas dentro do universo da MPB. Com liberdade estética, pôs versos coloquiais em rocks, ‘disco music’ e pop (sobretudo o de Lulu Santos). O CD ‘Nelson 70’ — produzido para festejar os 70 anos que o artista faz na quarta-feira — atesta a modernidade perene da obra de Motta com gravações inéditas de músicas de várias fases de seu cancioneiro.

Cantora lançada em 1987 sob as bençãos de Motta, Marisa Monte é parceira e intérprete da única música inédita do disco, ‘Nós e o tempo’, canção de antigo clima de valsa, que filosofa sobre os efeitos do tempo. Cezar Mendes assina a música com Marisa e com Motta.

Nelson MottaDivulgação

Gravada com o piano de João Donato, ‘Nós e o tempo’ poderia ter sido lançada na década de 1960, na qual surgiu ‘De onde vens’, parceria de Motta com Dori Caymmi, revivida com bons barulhinhos eletrônicos por Fernanda Takai. Com artilharia vocal mais pesada, Ana Cañas brilha ao transformar o rock ‘Perigosa’ em blues sensual.

Ninguém supera as gravações originais, mas são muitos os acertos. A levada criada por Pupillo para ‘De repente Califórnia’, canção ouvida com Céu, está na onda atual, mas Jorge Drexler se afoga no bolero ‘Como uma onda’. Laila Garin, projetada ao viver Elis Regina (1945 - 1982) no teatro, esbanja classe em ‘Noturno Copacabana’ ao lado do grupo Ipanema Lab.

O tema é de Nelson e Guilherme Arantes, tal como ‘Coisas do Brasil’, que perde sua bossa, mas ganha soul, no registro de Ed Motta. Max de Castro repisa ‘Areias escaldantes’ com frescor. Maria Gadú reitera sua sagacidade como intérprete em ‘Você bem sabe’. Lenine valoriza sons e silêncios de ‘Certas coisas’. ‘Nelson 70’ é quase dez...

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