Por karilayn.areias


Rio - Nelson Motta completa 70 anos hoje com vários lançamentos — como o CD comemorativo ‘Nelson 70’, o documentário de mesmo nome que vai ao ar pelo Canal Brasil também hoje (com os bastidores do disco e histórias de composições suas) e a compilação de textos e causos ‘As Sete Vidas de Nelson Motta’ (Editora Foz, 224 págs, R$ 39,90). E, como sempre fez, ataca passado e presente em novos projetos. Ultimamente, está mergulhado nas histórias do Festival Internacional da Canção de 1967 para a criação de um musical. O nome provisório é ‘Uma Noite em 67’, como o do documentário sobre o evento, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.

Nelson em seu apartamento em Ipanema%3A ele entrou no Facebook%2C mas está fora de discussões e bate-bocas sobre política na rede socialBruno de Lima / Agência O Dia

“Sai no segundo semestre de 2015 e fiz o roteiro com a Patricia Andrade. Vai trazer todas as músicas daquela noite, apresentadas tal como na época. E, no fim do espetáculo, o apresentador se vira para o público e diz que não vai ser o júri, e sim a plateia que vai escolher o vencedor. Liguem seus celulares!”, adianta. E há mais musicais com sua marca vindo em 2015. ‘S’imbora, o Musical — A História de Wilson Simonal’, também escrito com Patricia, está previsto para estrear em 15 de janeiro, trazendo o ator Ícaro Silva no papel principal.

“Ele fez o Jair Rodrigues brilhantemente em ‘Elis — A Musical’, e está a cara do Simonal. A diferença é que se tratava de uma história alegre e o caso do Simonal tem um ar de tragédia, né?”, conta Nelson, preparado também para levar a era disco brasuca para o palco. “Vou também transformar a história das Frenéticas e do Frenetic Dancin’ Days (boate que Nelson teve nos anos 70 e que lançou o grupo feminino) em musical”, avisa.

Considerando “um privilégio” chegar aos 70 anos, ele anuncia também a nova edição do festival ‘Sonoridades’, que inicia em 7 de novembro no Oi Futuro de Ipanema, trazendo novidades como Baiana System, Pedro Baby, Juana Molina e Alice Caymmi, todos com participações especiais. O crítico musical que recebia diversos vinis nos anos 70 e 80 hoje prefere o iPod para ouvir música, em casa ou nas caminhadas que faz diariamente na Praia de Ipanema. Conversa com o neto Joaquim, de 18 anos, pelo WhatsApp e entrou no Facebook em maio. Mas não o convidem para bater boca sobre política na rede.

“Nunca vou fazer isso. Sou amigo do José de Abreu (ator, militante do PT). Para quê vou discutir política com ele? Logo que houve a redemocratização, decidi nunca perder um amigo por causa de discussão política”, conta Nelson, que se diz um cara tímido. “E meu avô, Candido Motta Filho, era assim também. Ele chegou a escrever um livro chamado ‘Ensaio Sobre a Timidez’. Meus amigos sabem que não gosto de multidões. Detesto barraco, gritaria, bate-boca. Prefiro engolir sapo do que enfrentar isso.”

O homenageado do CD ‘Nelson 70’ acompanhou a honraria de perto, escolhendo artistas e canções. Marisa Monte surge na única música nova do disco (‘Nós e o Tempo’, dela, de Nelson e de Cesar Mendes). Lenine ficou com ‘Certas Coisas’ (de Nelson e de Lulu Santos), Ed Motta e Daniel Jobim releram ‘Coisas do Brasil’ (dele e de Guilherme Arantes), Gaby Amarantos transformou ‘Dancin’ Days’ (Nelson e Ruban Barra) em tecnobrega.

“A Gaby fez uma versão bem diferente da música. Era impossível fazer melhor, mas ela criou algo com o mesmo espírito”, diz Nelson, que teve também no disco o uruguaio Jorge Drexler relendo ‘Como Uma Onda’, composto com Lulu Santos.

“A música faz bastante sucesso na terra dele. E Drexler sempre se emociona com ela. É um hino de alegria e de tristeza ao mesmo tempo, né?”, acredita. “Costumo dizer que músicas como essa são filosofia barata, no bom sentido. É uma visão filosófica numa linguagem pop. Várias músicas minhas são assim e muitos letristas fazem isso.”

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