Por karilayn.areias

Rio - Dois filmes brasileiros estreiam nesta quinta trazendo ícones do Brasil que levantaram e levantam a massa: Tim Maia e o Corinthians. Dirigido por Mauro Lima, ‘Tim Maia — Não há Nada Igual’ é uma cinebiografia ficcional do rei da soul music brasileira. O desafio não foi dos mais fáceis. Afinal, nos últimos anos, Tim Maia esteve nas páginas, nos palcos teatrais e até mesmo num especial de televisão. Depois de tudo isso, o cinema poderia ser o epitáfio da redescoberta, o que felizmente não ocorreu.

Babu Santana vive o Síndico na fase adulta no longa de Mauro LimaDivulgação

Logo de cara, o cineasta Mauro Lima evitou repetir nas telas o ator Tiago Abravanel, que tanto sucesso fez nos palcos cantando e interpretando o síndico da desordem. Corajosamente, a produção percebeu que precisava de maior semelhança física, pois no cinema os primeiros planos revelariam distinções que a distância do palco tornava irrelevantes. Precisavam de um Tim mais encorpado e mais mulato. Os escolhidos foram Robson Nunes (Tim Maia jovem) e Babu Santana (Tim adulto), ambos surpreendentes na composição e, sobretudo, no empenho vocal ao reproduzir o balanço e a tonalidade do autor de ‘Azul da Cor do Mar’.

Ao contrário dos trabalhos anteriores sobre Tim Maia, o filme não reproduz de forma detalhista a turbulenta carreira do cantor. O objetivo maior é passar uma ideia generalizada do jeitão pessoal de Tim, enfatizando aspectos do seu comportamento folclórico, de sua inconsequência, de seu envolvimento destrutivo com as drogas e de sua criatividade genial e única. Apesar de a narrativa se alongar por extensas duas horas e vinte minutos, com algumas repetições desnecessárias, como a enfadonha corrida de Tim atrás de Roberto Carlos por uma chance na vida, o longa supera as deficiências com números musicais dançantes, bom humor e um ótimo elenco de apoio, cujos destaques são Alinne Moraes, Cauã Reymond e Luis Lobianco, como um irresistível Carlos Imperial. Para sair do cinema magnetizado.

A outra boa estreia é ‘Democracia em Preto e Branco’, de Pedro Asbeg, com certeza um dos melhores documentários sobre um tema que nos é muito caro, mas que em geral não recebe boas abordagens no cinema: o futebol. Narrado com assumido tom de torcedora pela corintiana Rita Lee, o filme conta a história da experiência política implementada em meados dos anos 80 pelo grupo liderado por Sócrates, Casagrande e Wladimir, conhecida como Democracia Corintiana.

Bem mais do que flagrante futebolístico, trata-se do retrato de um Brasil unido pelo fim da ditadura e pelo clima das Diretas Já. Um Brasil impulsionado pelo rock, descolado da correção política e do tom persecutório das redes sociais. Um Brasil em que jogadores fumavam e bebiam antes de ir aos jogos e tinham o que falar sobre política. Um Brasil, enfim, em que se queria destruir a cultura autoritária e não reinventá-la, ainda que inadvertidamente, como hoje. Sinal de que a luta continua.

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