Rio - Fazer cerveja em casa “é uma cachaça”. Isto é, para quem curte beber cerveja, produzir a sua própria bebida pode virar um passatempo viciante. E que vem ganhando mais e mais adeptos, entusiasmados principalmente pela popularidade das cervejas artesanais no mundo inteiro e interessados em fabricar suas próprias receitas.
“Produzir cerveja caseira não é muito mais difícil do que preparar uma refeição, e o resultado pode ser impressionante”, atesta o experiente cervejeiro britânico Greg Hughes, autor do livro ‘Cerveja Feita Em Casa’ (Ed. Publifolha, 224 págs., R$ 59,90). “Com um pouco de dedicação, não é difícil fazer um produto de nível profissional.”
O Brasil é um país expoente em produção de cervejas artesanais, ficando em terceiro lugar na fabricação mundial, apenas atrás da China e dos Estados Unidos. Hoje, são mais de 400 microcervejarias no país. Inicialmente, porém, a produção caseira da bebida pode ser apenas um hobby generoso, já que um dos maiores prazeres de quem se aventura na empreitada é oferecer aos amigos.
“Minha ideia inicial era fazer para confraternizar, dar de presente. Aí, todo mundo começou a gostar e querer comprar! Com o andar dessa carruagem, pretendo crescer, entrar nesse ramo e obter a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que é necessária para vender em bares”, entusiasma-se Mauricio Fernandes, guitarrista do grupo Bandanna Blues e criador da artesanal Cerveja Crocodilo. “Como gosto de música, faço sempre relação com um estilo musical. Minha cerveja Blues, por exemplo, é parecida com um Jack Daniel’s, com um pouco de amargor e teor alcoólico alto. Já a cerveja Smooth Jazz é mais leve, mais clarinha, com toques de laranja, como se você fosse saborear ouvindo aquela música.”
A relação entre cerveja e música, especialmente o rock, parece ser algo natural, tanto que são muitas as bandas do gênero que ultimamente lançaram suas próprias marcas, como Sepultura, Raimundos, Titãs, além das gringas Iron Maiden, Motörhead e AC/DC. “O Iron Maiden já tinha um bar na Inglaterra, daí, quando a venda de discos começou a cair, eles resolveram investir em sua própria cerveja”, ressalta o analista de sistemas Rodrigo Dracxler, também músico, da banda carioca Dashing Geeks, outro que resolveu fazer sua própria bebida.
“Comecei comprando um kit de cinco litros, que custa uns R$ 600. Mas daí você vai fazendo e vê que cinco litros não dá nem para a saída! Eu até inventei um aparelho para inserir gás carbônico na cerveja e acelerar o processo”, orgulha-se, tal e qual um Professor Pardal.
O tal kit básico, que pode ser encontrado em uma busca simples na internet, envolve itens como panela, fermentador, mangueiras, densímetro e moedor de grãos, além dos insumos malte, lúpulo e levedo. “Não se perturbe ou se desencoraje com histórias de garrafas que explodem e desarranjos gástricos. São possibilidades, claro, mas pouco prováveis se as instruções forem seguidas corretamente, e é difícil que a cerveja lhe faça mal, uma vez que o álcool mata a maioria das bactérias”, considera Greg Hughes. “Hoje, a qualidade e a disponibilidade de ingredientes para a produção caseira melhoraram muito, e isso vale para as informações, dicas e suporte a respeito do tema.”