Por daniela.lima
‘Venha frequentar minha casa%2C venha vivenciar os 400 processos que herdei’%2C dispara Carmelo Maia%2C filho de Tim MaiaDivulgação

Rio - Tim Maia entrou para a história não só por seu talento, mas também como um personagem polêmico. E o filme que leva seu nome parece que faz justiça ao homenageado: um dia depois de estrear nos cinemas, ‘Tim Maia’ gerou uma discussão acirrada e aberta no Facebook. Carlos Cajueiro, filho do saudoso compositor Beto Cajueiro, autor de músicas eternizadas na voz do ‘Síndico’, publicou em seu perfil na rede social uma crítica ao longa de Mauro Lima, rapidamente engrossada por gente que viveu com o cantor, e contestada por seu filho Carmelo Maia. Até o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini, entrou no papo acalorado, lembrando que o filme ‘Somos Tão Jovens’ também rendeu polêmicas parecidas quando foi lançado. 

“‘Tim Maia’, um romance lindo e triste, figurino de encher os olhos, os atores deram um show, mas a ocultação de fatos reais com uma mistura de muita ficção me deixou indignado! Começando pela linda Alinne Moraes, que interpreta uma pessoa chamada Janaína, que na vida real nunca existiu e que muito menos deu à luz os filhos do Tim. Carmelo, juntamente com o jornalista Nelson Motta, negou a verdadeira história da sua legítima mãe!”, reclamou Cajueiro, destacando ainda a ausência dos amigos e parceiros Paulinho Guitarra, Hyldon, Cassiano e seu pai, Beto. “O Carmelo hoje administra de forma desonesta as músicas do Tim, não pagando os direitos autorais dos verdadeiros compositores de muitas músicas do Tim Maia”.

Carmelo entrou na conversa para se defender: “A opção foi do diretor Mauro Lima em escolher Alinne Moraes para representar as namoradas ou mulheres que meu pai teve, sendo seus principais amores Janete e Geisa (...). O filme estava com três horas de duração, conseguiram enxugar para duas horas e vinte. Não dá para abordar a relação com A, B, C”, justifica, e continua: “Cajueiro, o julgamento é fácil, se torne um conhecido meu, venha frequentar minha casa, venha vivenciar os 400 processos que herdei, venha sentar e conversar numa boa e entender todo este universo chamado Tim Maia.”

Acusado por Carlos Cajueiro, Nelson Motta, autor do livro ‘Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia’, sobre Tim, obra que inspirou o novo longa, disse ao DIA que não viu o filme. “Não posso falar sobre ele, mas entendo que é a visão do diretor, uma ficção, e não um documentário. Isso é briga de músico e eu não quero saber”, descarta o jornalista.

Já o diretor Mauro Lima não quis se pronunciar. Na internet, no entanto, a discussão continuou em torno de problemas judiciais relacionados a direitos autorais, como um processo em torno de uma briga de Carmelo e o músico Paulinho Guitarra — que, ironicamente, vem a ser padrinho de batismo do filho de Tim.

“Fiquei muito triste quando vi no filme ‘Cidade de Deus’ que a música ‘O Caminho do Bem’, de autoria minha do Serginho Trombone e do Beto Cajueiro, estava creditada ao Tim Maia”, explica Paulinho Guitarra.

Sua mulher e advogada Jane Lapa ressalta ainda que a assinatura do marido foi falsificada para tirá-lo de uma sociedade com Tim Maia. “Ele foi sócio durante 24 anos do Tim Maia e tirado da sociedade com uma assinatura falsificada, o que foi provado por unanimidade inclusive no Superior Tribunal de Justiça”, dispara ela.

Paulinho, agora, espera recuperar suas músicas que o Tim Maia gravou para a sua própria editora. “Sou parceiro em 12 composições”, lista. “Quanto ao filme, acho que não pode ser chamado de biográfico e os autores têm toda a liberdade de romancear o lance. Mas não dá para dissociar a vida do Tim Maia de músicos e amigos que conviveram diariamente com ele, o influenciaram, sofreram e passaram sufoco junto com ele durante anos, os principais da carreira dele. Sei que não dá para colocar tudo num filme romanceado, mas pelo menos uma citação, uma referência”, afirma Paulinho. 

LEGIÃO URBANA

Nos últimos dias, outra polêmica envolvendo filhos de famosos e a Justiça ganhou um novo capítulo. Os integrantes vivos do grupo Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, enviaram um comunicado à imprensa comemorando o fato de que o filho de Renato Russo não pode mais impedi-los de usar o nome Legião Urbana no exercício de sua atividade profissional, sob pena de multa de R$ 50 mil.

“O que foi autorizado pela Justiça, e a Legião Urbana Produções Artística ainda irá recorrer nas instâncias superiores, foi ‘apenas’ a utilização do nome Legião Urbana por Dado e Bonfá, e tão somente em suas atividades profissionais”, salienta, por e-mail, a Legião Urbana Produções Artística, empresa de Manfredini. “Dado e Bonfá jamais foram impedidos de utilizarem o nome da banda, mesmo quando não pediram autorização prévia e o fizeram indevidamente”, completou.

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