Por daniela.lima
João Pimentel%3A José Aldo%2C Iron Maiden e euDivulgação

Rio - Tudo começou em um sábado, lá pelas 7h. Ouvi uns gemidos, quase urros, vindos da escadaria que ladeia a minha casa, em Laranjeiras. Essa escadaria enorme começa próxima à portaria do Fluminense, na Rua Álvaro Chaves, e desemboca no alto da Cardoso Júnior. Ou seria o contrário? Enfim, barulhos estranhos não seriam novidade nessas centenas de degraus, onde de tudo acontece. Mas, às 7h, e de forma insistente... Tanto que minha companheira, que tem um sono pra lá de pesado, resmungou: “Pelamordedeus!!!! O que é isso?” Sabe-se lá como, levantei, abri o portão e vi uns caras treinando socos e pontapés na rua. Talvez pelo sono, reclamei: “Porra, na porta dos outros? A esta hora?” Me olharam com uma cara feia e ignoraram meu pedido. 

Na semana seguinte, a mesma situação. Pior, os caras subiam aquela escadaria carregando outros nas costas. Imaginem o que poderiam fazer comigo. Indignado, procurei o disco mais esporrento que tinha em casa, abri a janela que dava para a rua e pronto, agora eles iriam enfrentar adversários à altura: a besta, o monstro Eddie The Head do Iron Maiden e a voz potente de Bruce Dickinson. Deu certo, quer dizer, quase. Os caras foram embora, mas, nesse dia, ninguém mais dormiu. 

Na semana seguinte, assim como os macacos que atormentam a vizinhança — por favor, não tomem isso como preconceito contra os primatas das duas espécies —, eles voltaram. Mas, aos poucos, não sei se por costume ou pelo fato de eles terem diminuído seus barulhinhos sôfregos, não incomodaram mais.
No sábado passado, voltando de uma festa, passei na Barraca do Castor, o salvador dos famintos da madrugada, ali mesmo na minha rua, e uma televisão passava a decisão dos pesos penas do UFC, em que José Aldo venceu Chad Mendes e manteve seu cinturão em um Maracanãzinho lotado. 

Uma carnificina. Na assistência, homens sentados em seus banquinhos tomando uma saideira, e as mulheres, indignadas, olhando para qualquer lugar, menos para a telinha, loucas para ir para casa. Já eu estava intrigado, achando que conhecia o tal do José Aldo de algum lugar. “Deve ser do noticiário mesmo”, pensei. 

Ele venceu, se enrolou na bandeira do Mengão e ganhou minha simpatia. Até que o Castor se vira para mim e diz: “Ele está sempre aqui na rua, treinando.” Claro! O cara que me deu uma encarada, que carregava outro marmanjo nas costas escada acima, era o José Aldo! 

Já avisei à patroa para pôr algodão nos ouvidos, já demiti o Eddie The Head e o Dickinson e preparei um bom disco de Luiz Carlos da Vila para receber o campeão em seu retorno à Cardoso Júnior. Quem sabe ele não se anima e bebe umas com a gente no Cardosão...

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