Por daniela.lima

Rio - Não é à toa que o primeiro CD de Xande de Pilares se chama ‘Perseverança’. O sambista, que se lança solo após 21 anos à frente do Revelação, diz ter vivido e visto bastante a história de luta que cantou nas músicas do grupo. “Tenho admiração por pessoas perseverantes”, conta, lembrando o dia em que, cantando num bar no Méier, deu uma chance para um cara que aparecia todas as noites pedindo para cantar. 

Xande se inspirou em nomes como Seu Jorge%2C Clara Nunes e Cartola Luciano Oliveira


“Isso foi lá por 1994. Eu o deixei dar uma canja, e ele cantou muito bem. Um dia, liguei a TV no ‘Programa do Jô’ e lá estava ele com o Farofa Carioca. Era o Seu Jorge!”, espanta-se ele, que vê a mesma prontidão para a batalha em nomes históricos como Cartola e Clara Nunes. E em amigos. “O Anderson (Leonardo), do Molejo, foi criado comigo. Um dia, ele sumiu de Pilares, todo mundo procurando por ele. Ligo a TV e o cara aparece, aos 14 anos, ao lado do Roberto Carlos no especial de Natal. Ele viu o Fundo de Quintal indo para o Teatro Fênix (antigo teatro da Globo) e se escondeu na van deles!”, diz, rindo.

No disco solo, Xande mantém a mesma ‘pegada’ conselheira do Revelação em sambas como a faixa-título, ‘Clareou’ e ‘Mundo Novo’. Ou no hino antirracismo ‘Orgulho Negro’, parceria com Pretinho da Serrinha e Arlindo Cruz que quase teve letra de Caetano Veloso. “Mas ele estava na Europa na época, não deu. Aí passamos para o Arlindo Cruz, e ele fez uma letra linda”, diz.

O disco tem também pagodes românticos e bem-humorados, como ‘Fui Pra Balada’, ‘Cheia de Chilique’ e ‘Elas Estão no Controle’, que celebra a independência feminina. “Ainda tem muita mulher por aí que pega a cueca do cara e leva no terreiro, faz macumba. E elas não precisam de nada disso para pegar a gente pela perna”, brinca o namorado da fadista portuguesa Raquel Tavares. “Tem um oceano de distância entre a gente, mas dançamos conforme o fado.”

Nesta semana, Xande estreia como ator no filme ‘Made In China’, dirigido por Estevão Ciavatta. Ele faz Carlos Eduardo, namorado de Francis, interpretada pela mulher do diretor, Regina Casé, com quem divide o palco no ‘Esquenta’. “Eu tinha que beijar a Regina e nunca dei beijo técnico. E a gente tem essa coisa de respeitar a mulher dos outros, né? O Estevão brincava: ‘Calma, Xande, eu deixo, a gente precisa trabalhar...’”, diverte-se.

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