Filme retrata obra social realizada em bairro da Baixada

Longa mostra rotina de escola espírita

Por O Dia

Rio - Terezinha Oliveira é uma figura famosa em Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense. Idealizadora da primeira escola do local, ela mudou a vida das famílias que vivem por lá através de um sistema de educação unido à doutrina espírita. Mas, se depender do documentário ‘Semear Estrelas’, lançado hoje, no Centro Cultural Veneza, a fama dessa octogenária irá muito além do distrito de Japeri.

Obra social%3A Terezinha Oliveira e seus alunos ganham documentárioDivulgação

Após ouvir duas crianças combinando um roubo, Terezinha decidiu que precisava fazer algo para mudar aquela realidade. O desejo se concretizou na década de 70, com a Escola Espírita Joanna de Ângelis. Com terreno doado pela própria criadora do projeto, desde então a casa funciona à base de doações e já formou diferentes gerações.

“Ela fez um trabalho de formiguinha para levantar a autoestima das pessoas do entorno”, comenta o diretor do filme, Guto Neves, que a conheceu por acaso. “Foi em 2009, através de um amigo. A Terezinha me chamou muito a atenção como ser humano e não saiu mais da minha cabeça”, lembra-se.

O jeito foi acompanhar de perto a rotina dela e de seus alunos. Por um ano, Guto registrou o dia a dia da escola para entender melhor a real proporção do trabalho feito ali.

“Apesar da doutrina espírita estar presente nos ensinamentos da escola, fiquei impressionado com o fato de que a umbanda, o catolicismo e o evangelismo se relacionam bem por lá. Pessoas de outras religiões pedem o espaço emprestado e participam das atividades do lugar, onde, aliás, a maioria dos alunos é evangélica”, ressalta o produtor audiovisual.

Além das matérias obrigatórias na grade curricular das crianças, existe uma palavra de ordem na Joanna de Ângelis: semear. Não à toa, ela acabou se tornando o título do longa-metragem. Assim como Terezinha compartilha seus ideais com aquela comunidade há quatro décadas, quem mora em Engenheiro Pedreira aprendeu a trabalhar em equipe.

“A escola é mantida por doações que garantem o pagamento dos professores, o material didático, os uniformes e as três refeições diárias para os 200 alunos, que estudam de graça na instituição”, explica Guto. Já a manutenção dos serviços básicos fica a cargo das famílias da comunidade, que se revezam entre as demandas da casa, enquanto os filhos frequentam as aulas.

“Quando você visita aquele lugar e chega perto da Terezinha, sente uma energia muito especial. É um trabalho feito com muito amor”, define o diretor, que pretende reverter toda a verba obtida com o filme para a obra social documentada por ele.

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