Por marlos.mendes
Publicado 06/11/2014 15:44 | Atualizado 09/11/2014 18:39
O alerta de leitura do WhatsApp tem um potencial bélico para as relações sociaisReprodução

Rio - O universo das pessoas hoje cabe na palma da mão. Não é metáfora e nem eu estou de brincadeira. Falo sério. Sabe o WhatsApp? Ele se tornou o habitat natural de uma enorme fatia da sociedade contemporânea. Pelo menos 600 milhões de pessoas no mundo passam um tempo (às vezes grande) nele. Por quê?

Os motivos são vários: não pagamos para usá-lo, resolvemos problemas sem termos que usar necessariamente a voz, usamos a voz para gravar mensagens para outro(s) sem ter que necessariamente estender a conversa ao telefone ou ser interrompido em nosso raciocínio, criamos grupos de interesse comum, mandamos fotos diversas inclusive de onde estamos e do que estamos fazendo, compartilhamos o lugar onde estamos (um jeito de provar que estamos mesmo ali!), e, sobretudo, temos pequeninas diversões entre os memes, emojis e piadas que mandamos.

Mas, como “não há almoço de graça”, o WhatsApp tem seus efeitos colaterais. Com tanta facilidade ao alcance das mãos, tende-se a controlar mais tudo e todos. “Onde cê tá? O que comprou? Como tá seu cabelo? Quem tá aí? Manda foto”. E o controle vai além. Mandamos mensagens e ansiamos pela resposta. E aí começamos a desenvolver uma rotina quase paranoica de checar de tempos em tempos se a pessoa na nossa mira entrou no WhatsApp e se respondeu. Quando vemos que a pessoa-alvo entrou e não falou com a gente, é inevitável, ficamos bolados. Isso chateia mas passa. Passa? Passava.

Desconfio que, a partir de agora, quando o WhatsApp, além de contar quando a pessoa entrou nele pela última vez, nos mostra quando a pessoa leu a sua mensagem, teremos uma espécie de 3ª Guerra Mundial entre relações sociais, profissionais, familiares e, sobretudo, amorosas.

Coitados dos que leram e deixaram pra responder depois. Não vão ter desculpa. Os já famosos 2 tiques azuis do WhatsApp vão provocar muita confusão. Saudades de quando eles eram só verdes. WhatsApp — onde o azul é a cor mais bélica e onde a vida real acontece do jeito que ela é: entre tapas e beijos.

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