Luis Pimentel: Todo dia é dia de samba

Comemoração nos vagões dos trens da Central do Brasil rola há quase 19 anos

Por O Dia

Rio - Nesta terça-feira foi o Dia Nacional do Samba. A data é comemorada em algumas capitais, especialmente em Salvador (terra do samba de roda), com shows espalhados por toda a cidade, especialmente graças ao empenho do grande compositor Edil Pacheco, e, no Rio de Janeiro (palco do samba de terreiro, do samba de quadras, do samba de enredo, de todos os sambas), onde acontece o tradicional Pagode do Trem.

Este ano, como a data caiu numa terça-feira, a festança foi transferida para o dia 6, sábado que vem. Sou daqueles que acreditam que o dia do samba é todo dia. Especialmente aqui, com o Samba do Trabalhador, do Moacyr Luz, na segunda-feira; samba às terças, quintas e domingos no Bip Bip; o Samba de Botafogo do Paulinho do Cavaco e Grupo Tocando a Vida, aos sábados; e por aí vai. Mas acho que a comemoração da data, ideia do batalhador do gênero e das carioquices suburbanas Marquinhos de Oswaldo Cruz, é um presentaço de quase-Natal que os bambas dão anualmente ao povo do Rio, espalhando alegria e poesia pelos vagões dos trens da Central do Brasil.

A festa começou com a intenção de Marquinhos e de seus amigos de empreitada de homenagear grandes baluartes das velhas guardas, que trabalhavam quase sempre no Centro da cidade ou na Zona Sul (ou na Zona Portuária) e se juntavam no trem, na volta para casa, onde o couro comia para a viagem de volta passar mais depressa. Entre esses, estava sempre um certo Paulo Benjamim de Oliveira, que vinha a ser simplesmente Paulo da Portela (o nome artístico herdado da escola que ele ajudou a fundar).

A comemoração rola há 19 anos e, neste 2014, conta com presenças muito bacanas. Para começar, celebra a vida e a arte da grande dama do samba, primeira mulher a compor um samba-enredo e a vê-lo na avenida dos desfiles, a querida Dona Ivone Lara. Responsáveis pela organização já anunciaram nomes como os de Wilson Moreira, Nelson Sargento, Tantinho da Mangueira, Hamilton de Holanda e por aí vai. Sabe-se que o cordão engrossa mesmo é na véspera, quando surgem as adesões esperadas, pois quem faz samba e ama o samba não se recusa a participar do baticum.

Cinco trens, com atrações musicais em cada um dos seus oito vagões, vão repetir o trajeto da alegria entre a Central e a Estação de Oswaldo Cruz, território afetivo de Monarco, de Manacéa, de Mijinha, de Chico Santana, berço do samba e da Portela. E também terá shows na Central, onde o palco já está sendo montado. Tudo de grátis, ou quase: basta levar um quilo de alimento não perecível; a gente alimenta o nosso espírito e ajuda a alimentar o corpo de quem precisa.

É bom ou não é?

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