Tributo a Tenório Jr. e Dom Salvador no Palácio Capanema

Show é parte de projeto de pátio no local

Por O Dia

Rio - O músico Adaury Jr., 37 anos, é fã da época em que o som instrumental fazia sucesso, tocava em rádios e casas noturnas e iniciava movimentos na música brasileira, que repercutiam em todo o mundo.

“Como na época dos grupos de samba-jazz do Beco das Garrafas, em Copacabana”, recorda ele, um dos pianistas escolhidos para a semana no projeto ‘Música no Pátio do Capanema’, no Palácio Gustavo Capanema. Na apresentação de hoje, ele convida Vitor Vieira (bateria) e Rodrigo Ferreira (baixo) e presta homenagem a dois cultuadíssimos nomes do jazz brasileiro: Dom Salvador e Tenório Jr. (este, morto em 1976, durante uma turnê na Argentina, por militares do país).

Adaury e o piano%3A músico vai gravar Dom Salvador no próximo CDAloizio Jordão / Divulgação

O tributo a mestres da música brasileira é uma marca do projeto. Nesta quinta-feira sobem ao palco do pátio Luiz Otávio com Jefferson Lescowich (baixo) e Renato Endrigo (bateria) para reler a obra de Milton Nascimento. Na sexta-feira, é a vez de Danielli Espinoso unir-se a Gustavo Rodrigo (guitarra) e Ayeres d’Athay de (percussão) para homenagear João Donato.

Dom Salvador se tornou conhecido por seu trabalho ligado à black music — e pelo disco que gravou com o grupo Abolição, ‘Som, Sangue e Raça’ (1971), além das participações, ao piano, em músicas como ‘Jesus Cristo’, de Roberto Carlos. Mas Adaury procura valorizar mais sua faceta samba-jazz, do começo da carreira. “Vão entrar músicas como ‘Meu Fraco É Café Forte’. E ‘Mariah’, música que ele fez para a mulher dele, com quem está casado há mais de quarenta anos”, diz, rindo.

Adaury tocou num trio com Sergio Barrozo, baixista que acompanhou Salvador. Mas nunca conheceu o mestre, que vive nos Estados Unidos há décadas. “Ah, sou louco para conhecê-lo. Mas já fiz uma ponte com ele, porque quero gravar ‘Meu Fraco É Café Forte’ no meu disco que sai em 2015. Pedi ao Sergio para conseguir a liberação com ele, que deixou. O Sergio me disse que Dom Salvador é muito gente fina”, alegra-se.

De Tenório, entram músicas de seu único LP, ‘Embalo’, clássico do jazz nacional lançado em 1964. “Vou tocar músicas como ‘Samadhi’ e ‘Nebulosa’. E um arranjo maravilhoso que ele fez para ‘Fim de Semana em Eldorado’, de Johnny Alf”, adianta Adaury.

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