Jornalista lança livro sobre história do Café Sorelle

Obra de Ines Garçoni também reúne receitas deliciosas do estabelecimento

Por O Dia

Rio - Foi graças à influência da avó materna, uma mulher amorosa que adorava cozinhar, que as irmãs Elsia, Paula e Ana Mattoso, donas do Café Sorelle, no Humaitá, se interessaram por comida. E foi para homenagear a avó, também chamada Elsia, além de marcar os dez anos do lugar (comemorados em julho passado), que elas resolveram fazer o livro ‘Sorelle — Da Semente ao Fruto’ (ed. Rio de Letras, 170 págs., R$ 68), com texto de Ines Garçoni e fotos de Sergio Pagano. O lançamento é hoje, às 17h, na livraria Argumento do Leblon (Rua Dias Ferreira, 417).

Fachada do Café Sorelle na Rua Capitão Salomão%2C no HumaitáJoão Laet / Agência O Dia

“O livro é uma ‘pesquisa de repertório’, digamos assim, das receitas da avó e de outros parentes, tias, irmão, madrinha, pessoas próximas à família. E receitas do café, claro, algumas são marcas registradas e ganharam prêmios — bolos, brownies e cookies”, explica Ines. “Queria lançar um livro pelos dez anos do café. Inicialmente, a gente não sabia o que fazer, mas as coisas foram surgindo as poucos. Então resolvi dar as receitas do café e juntar um pouco das histórias da minha avó. Ela cozinhava muito bem e despertou isso na gente de cozinhar e fazer coisas ligadas à alimentação”, conta Elsia Mattoso.

Localizado no número 14 da Rua Capitão Salomão, o Sorelle quando surgiu ocupava apenas uma loja. Dois anos depois, dobrou de tamanho. “A rua, que hoje é parte de um polo gastronômico, tinha poucas opções. A necessidade no bairro era muito grande, então tivemos bastante procura logo que abrimos”, lembra Elsia.
“A gente começou com receitas caseiras que achava que tinham a ver com o café. Tínhamos a consultoria da Tiça Magalhães (chef, morta em 2013). A ideia era servir comidas leves, sopas, sanduíches, bolos e um café de muita qualidade”, descreve a dona. “Queríamos ter um café que se destacasse, fosse muito bom em termos de equipamento, produtores, baristas”, diz. Hoje, existe também uma filial no Botafogo Praia Shopping.

Para Ines, um dos destaques do lugar é a capacidade que as sócias têm de preservar as tradições gastronômicas familiares. “O café é como se fosse um templo destas tradições. É o lugar onde elas mantêm vivo o hábito de receber bem as pessoas, de oferecer boa comida, de ser gentil, como era a avó, a matriarca da família, com todos eles. Também me chama a atenção o fato de o café nunca ter crescido além da conta simplesmente porque elas acreditam que, assim, oferecem um serviço e comida melhores. Poderia ter se transformado numa rede grande, não foi por falta de proposta e de sucesso, mas tem apenas uma filial ali perto. Gosto quando as coisas não crescem demais.”

Outra qualidade do local, na opinião da jornalista, é não ser um lugar acelerado. “Ele inspira a pausa. Ali, é como se o tempo parasse, o ritmo corresse mais lento que do lado de fora. A despeito de ser um café — para mim, é mais um bistrô —, bebida que acelera a gente, é um ambiente calmo, sossegado...”
Tudo isso talvez seja reflexo da filosofia das proprietárias: para Elsia, a melhor parte de ter um café é o contato com as pessoas. “Temos clientes que vêm várias vezes em um mesmo dia. Isso é muito gostoso. E também é muito prazeroso cozinhar, testar receitas novas, ver o que tem mais aceitação e incluir no cardápio”, descreve ela.

É esse clima que o livro busca recriar. Além da trajetória do lugar, a história da avó e fotos de parentes, ele traz receitas como a Torta da Vovó Maria, tradição há quatro gerações da família (“a vovó Maria, na verdade, é a nossa bisavó”) e o brownie, um dos maiores sucessos do Sorelle. “A gente serve ele acompanhando os cafés, e a gente serve muitos cafés (são cerca de 300 expressos em dias mais frescos e 200 no verão). Quando botamos pedacinho de bolo de laranja ou cookie, perguntam pelo brownie”, diverte-se Elsia.

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