Vozes unidas em disco para ajudar pessoas com Síndrome de Down

O músico João Cavalcanti, do Casuarina, produz o CD 'Toda Cor'

Por O Dia

Zeca Pagodinho%2C em estúdio%2C grava sua participação em ‘Toda Cor’Divulgação

Rio - Elza Soares cantando com João Gordo um antigo sucesso da trilha do programa infantil ‘Balão Mágico’? Não, isso não é um delírio, é realidade: os artistas, tão diferentes em seus gêneros musicais, gravaram juntos uma versão para ‘É Tão Lindo’ (aquela da letra “Se tem bigodes de foca, nariz de tamanduá...”). O improvável dueto faz parte do CD ‘Toda Cor’, produzido pelo músico João Cavalcanti, do grupo de samba Casuarina, para marcar o Dia Internacional da Pessoa Com Deficiência, promovido pelas Nações Unidas desde 1998, todo dia 3 de dezembro.

“Foi um convite do Movimento Down, portal que agrega muitas informações sobre o assunto, para dar visibilidade para a causa”, detalha Cavalcanti, que é pai da pequena, Luna, de 3 anos, que tem Síndrome de Down. “Além de eu ser pai de uma menina com Down, sou um cara sensível a todas as questões que envolvem a tolerância e o respeito aos direitos individuais. Acho que está tudo isso muito junto. A inclusão do indivíduo Down na sociedade dialoga com a questão da aceitação das múltiplas etnias, por exemplo. As músicas do disco vão além da Síndrome de Down, e falam desses outros assuntos. Embora não tenham sido feitas para crianças nem para esse propósito, são canções que se enquadram perfeitamente”.

João Cavalcanti já produziu CDs do Casuarina, além de seu próprio disco solo, mas ‘Toda Cor’ marca sua estreia como produtor de um disco com outros artistas. Além de Elza Soares e João Gordo, a seleção escolhida inclui Ney Matogrosso (com o bloco do Sargento Pimenta, resgatando ‘Mulher Barriguda’, de seu ex-grupo Secos & Molhados), Pato Fu, Tulipa Ruiz, Roberta Sá com Pedro Luís, Zeca Pagodinho, além de seu pai Lenine e de seu próprio grupo.

Ele espera que o lançamento consiga ajudar a fazer a sociedade entender que as pessoas com Síndrome de Down estudam, trabalham, convivem com todos, têm opinião e podem se expressar sobre assuntos que lhes dizem respeito. “Ninguém quer condescendência. O que tem que ter é a compreensão de que há dificuldades e todo mundo se mobiliza para minimizá-las”, ressalta Cavalcanti.

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