Jorge Furtado ganha mostra, lança longa e série na Globo

Diretor de TV e cinema alerta que filme irrelevante para plateia cairá no esquecimento

Por O Dia

Rio - Três décadas de carreira, um currículo de causar inveja e uma retrospectiva em cartaz na Caixa Cultural. Entre o cinema e a TV, a direção e o roteiro, Jorge Furtado já tem um novo longa-metragem pronto para 2015, com Adriana Esteves e Vladimir Brichta, ‘Real Beleza’, além de novo projeto televisivo. Ao recordar sua trajetória, o gaúcho faz também uma avaliação do presente e destaca: “Os realizadores têm que encontrar temas que interessem o povo. O cinema não pode ser um clube fechado.”

Para o diretor gaúcho, não importa o gênero. O importante é que as histórias tragam algum conteúdo significativo e envolvam os espectadores. Foi com essa meta que ele diz ter feito filmes como ‘Saneamento Básico’, ‘O Homem que Copiava’ e o seu curta de maior sucesso, o ‘Ilha das Flores’ — todos parte da mostra ‘Palavra em Movimento — Filmes e Roteiros de Jorge Furtado’. “Acho que os filmes têm que dizer algo para o público. Caso contrário, se tornam irrelevantes e são esquecidos.”

Pensando nisso, em seu mais recente trabalho, acabou buscando inspiração em uma notícia de jornal. A ideia de ‘Real Beleza’ surgiu após ler uma reportagem num diário inglês sobre a grande quantidade de modelos que sua terra natal exporta para o exterior.

“Os filmes têm que dizer algo para o público. Caso contrário%2C se tornam irrelevantes e são esquecidos. Cinema não pode ser clube fechado”%2C diz diretorRodrigo Gorosito / Agência O Dia

“O filme é sobre um fotógrafo (Brichta) que procura por novas modelos”, adianta ele. Na história, o personagem de Vladimir encontra potencial em uma menina (Vitória Estrada) e acaba se envolvendo com a mãe dela (Adriana Esteves), que é casada com um homem bem mais velho, interpretado por Francisco Cuoco. “É sobre um cara que está perdido e se envolve em um triângulo amoroso”, define Furtado, que também levanta questões como a diferença de geração entre casais e os critérios de beleza da indústria da moda.

Além do longa inédito, o diretor gaúcho revela uma novidade para a grade da Rede Globo. “Trata-se de uma série ainda sem nome, que fiz com o Guel (Arraes). É uma ficção, dos anos 50, no Brasil. Os personagens estão inventando a TV brasileira”, adianta ele sobre o programa, que já tem a história escrita e deve ser gravado no ano que vem.

A cabeça de Furtado não para. Antes de passar a vida se dividindo entre a direção e a criação de roteiros, ele já cursou medicina, psicanálise, artes plásticas e jornalismo. Conhecido por suas comédias, atualmente o gaúcho tem investido em outros gêneros. Em agosto, ele lançou o documentário ‘O Mercado de Notícias’, sobre o papel da imprensa, que também ganhou um site com entrevistas extras. “Sempre gostei das misturas. Temos que saber aproveitar o casamento de diferentes mídias”, diz ele, que também sai na defesa da televisão, onde dirigiu séries como ‘Doce de Mãe’ e ‘Comédia da Vida Privada’, na Globo.

“A TV é ágil, está sempre disponível dentro da tua casa. Você pode escolher entre 200 canais, se quiser. É uma mídia muito poderosa, rica e com dinheiro. Enquanto isso, as pessoas passam dez anos fazendo um filme. ‘O Mercado de Notícias’, por exemplo, comecei a fazer em 2006 e só terminei em 2014”, compara.

Outra questão que Furtado destaca é a acessibilidade do público ao cinema nacional. “Os filmes brasileiros são feitos com dinheiro público. Por isso, deveriam estar mais disponíveis ao público. Muitos filmes são quase secretos”, critica ele, referindo-se a produções que não envolvem os espectadores, são pouco divulgadas ou têm uma exibição quase relâmpago.

“Quando os festivais surgiram, foi para divulgar o cinema. Mas raramente inscrevo meus filmes, porque são comédias, e os festivais não curtem esse gênero”, conta o cineasta. “Até parece que tem que ser algo que agrada só a um público específico, algo chato e cabeça demais”, avalia Furtado.

A mostra está em cartaz na Caixa Cultural, até o dia 21. Av. Almirante Barroso 25, Centro (3980-3815). R$ 2. Programação completa: www.facebook.com/mostrajorgefurtado

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